Helen Sloan/HBO
Helen Sloan/HBO

Análise: personagens sólidos tornam 'Game of Thrones' irresistível

Série é um grande e milionário negócio de abrangência mundial

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2019 | 03h00

O inverno chega em mais ou menos sete semanas e vai ser arrasador. O Rei da Noite e seu dragão zumbi querem a morte do herói Jon Snow e, de quebra, o controle dos Sete Reinos a partir de Winterfell. Não que eles tenham muito interesse nessa coisa de vida burguesa, castelos aquecidos, vinho e comida boa, gente bonita. O exército dos mortos-vivos vai encarar a resistência de uma força notável, única na saga de gelo e fogo do escritor preguiçoso George R.R. Martin – um respeitável senhor de 70 anos que iniciou a narrativa épica viciante há 25 anos e agora não consegue dar fim à trama. Não porque não saiba como. Ele escreve devagar, 15 páginas de cada vez, só as vezes. George está terminando -- há três anos sempre terminando --, o último volume, o sexto da série. Seus agentes dizem que talvez ainda haja espaço para um sétimo livro. Game of Thrones criou um modelo, é um grande e milionário negócio de abrangência mundial.

A inspiração inicial da trama é a Guerra das Rosas, conflito que durou 30 anos, de 1455 a 1485, na disputa pelo trono da Inglaterra e levou ao poder a Casa de Lancaster (os Lanister de GoT?) abrindo caminho para a dinastia Tudor. Acaba aí o tênue laço com a realidade. Não é possível acreditar que em algum momento do passado o mundo tenha sido dividido por uma gigantesca muralha congelada de 200 metros de altura, separando vivos e mortos, mais  certos tipos incomuns como gigantes, mamutes e selvagens parecidos com vikings. No meio disso, lobos do tamanho de tigres e, claro, os dragões, filhos da rainha Daenerys Targaryen. O segredo que faz dessa fantasia um prato irresistível é a solidez dos personagens: canalhas, heroicos, soberbos, mesquinhos, sensuais, dementes, geniais, fascinantes – é o povo das ruas, de quaisquer ruas.

Os autores e diretores David Benioff e D.B. Weiss fizeram uma aposta arriscada ao recriar com extremo cuidado batalhas medievais. Dedicaram o trabalho de grandes equipes por muito tempo na pesquisa de documentos, relatos, análises de tapeçarias, pinturas e mapas medievais. Deu certo. O resultado é espetacular como se viu naqueles momentos de tirar o fôlego das temporadas mais recentes. E vem mais. A Batalha de Winterfell da oitava temporada, demorou 55 dias para ser gravada. Algumas sequências são filmadas sem cortes, uma técnica difícil nas circunstâncias. O número de envolvidos nas cenas bateu na faixa dos milhares. Um só grupo de combatentes reuniu 750 figurantes. Claro, poderiam ter sido multiplicados por computação gráfica mas... que graça tem isso?

Enfim, é o fim. Há vários palpites rolando entre os seguidores de GoT. Um deles sustenta que a disputa pelo Trono de Ferro será uma guerra entre mulheres – Daenerys, Sansa, Cersey, Arya... Outro acredita na morte de personagens  populares, como Tyrion e Jaime Lannister ou mesmo Jon Snow, eventualmente as princesas, pavimentando alternativas inesperadas. Não importa. O que conta é que depois de oito anos, tudo mudou. Maisie Williams, atriz que interpreta Arya, tinha 11 anos quando a série estreou – hoje, tem 21. Lena Heasey, a rainha Cersey, tem 46. Havia completado 35 quando assinou o primeiro contrato com a HBO. De fato, o inverno está chegando. 

 

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