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Análise: novela 'Deus Salve o Rei' chega ao fim com saldo positivo

Bruna Marquezine, como rainha Catarina, foi uma vilã e tanto. Até o último momento sustentou suas maldades e a última fala foi: "faria tudo outra vez"; último episódio foi nesta segunda-feira, 30

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2018 | 22h13

Há uma fórmula que, na indústria norte-americana de entretenimento, é chamada de sword and sorcery – espada e bruxaria. Difícil identificar suas origens, o importante é que segue dando frutos. Deus Salve o Rei nasceu dessa fórmula, e talvez se possa dizer que a Globo quis criar o seu Game of Thrones.

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A novela nasceu sob o signo da polêmica. Não fez, inicialmente, o sucesso previsto, à altura do investimento, mas, sem provocação, o Brasil, na Copa, esteve longe de corresponder ao que, do ponto de vista emocional e financeiro, todo um povo fez na seleção.

Sempre houve o precedente de Que Rei Sou Eu?, mas lá o tom era decididamente humorístico, paródico. Aqui, o humor correu quase que exclusivamente por conta da dupla Johnny Massaro/Tatá Werneck. O tom foi sempre mais grave, com investimentos em cenas de massas, batalhas, etc. Aportes podem ter sido consideráveis, correções de rumo, mas só o fato de Nelson Adjafre ter permanecido autor até o fim diz muito.

Sword and sorcery, mas também folhetim, melodrama. Alfred Hitchcock dizia que um bom thriller dependia sempre de um grande vilão. Bruna Marquezine, como rainha Catarina, foi uma vilã e tanto. Até o último momento sustentou suas maldades e a última fala foi: "faria tudo outra vez". Forca para ela!

O fato de, no penúltimo capítulo ter havido a declaração de que, além de filha de bruxa e plebeia, era irmã da mocinha, Amália, não ajudou em nada. A própria Amália, no julgamento decisivo, não recuou de testemunhar contra a meia-irmã. E o rei Augusto, sentindo que a filha adotiva poderia escapar impune, também testemunhou contra ela.

Como relato de ação, aventura, magia, Deus Salve o Rei colocou sempre o que se espera dos heróis – integridade, ética. Houve mais de uma segunda chance. Mais regeneraram-se e morreram com honra, não todos. O último capítulo teve um efeito espetacular, quando a bruxa, esgotada pelo esforço de ter tentado salvar a filha, esfumou-se no ar.

O último capítulo tratou do empoderamento feminino. Selena, chefe da guarda real de Montemor, foi eleita rainha da Lastilha. Amália foi saudada por sua bravura e investida como rainha. Bruna Marquezine surpreendeu, Johnny Massaro e Tatá Werneck confirmaram, Rômulo Estrela mostrou que consegue segurar uma novela – e num personagem que não era fácil.

No limite, o desafio maior talvez tenha sido de Marina Ruy Barbosa, a Amália. Mocinhas tendem a ser chatas. Boazinhas demais, sofredoras. Felizmente ela pegou em armas. Ainda é cedo para avaliar se Deus Salve o Rei vai fazer história na dramaturgia da Globo, mas foi a novela foi boa - ótima.

Marco Nanini foi extraordinário, vamos ver quantos prêmios ganhará de melhor ator do ano. Humor não tem nada a ver com isso. Para competir com a realidade, a Globo já tem a Zorra.

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