Análise: Depois da batalha do gelo, mulheres lutam pelo poder em 'Game of Thrones'

Análise: Depois da batalha do gelo, mulheres lutam pelo poder em 'Game of Thrones'

Baita batalha. Talvez a mais longa da história do cinema; pena que foi à noite – e que noite foi essa

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2019 | 23h08

Baita batalha. Talvez a mais longa da história do cinema, como garante a HBO com Game of Thrones. Pena que foi à noite – e que noite foi essa. Escura e sem estrelas, ótima para quem tem olhos gelados, azuis e mortais; os White Walkers. O diretor Miguel Sapochnik usou a referência técnica da batalha de Agincourt, de 1415, entre forças da Inglaterra e França, decisiva na Guerra dos 100 Anos.

A ordem da tropa e a disposição de recursos, como as catapultas (a “artilharia” da época), os arqueiros de longo alcance (os “snipers” da Idade Média), e as valas de fogo seguindo as irregularidades do terreno, estavam impecáveis. E, bem, o mundo real acabou por aí. Afinal, no século 15 não havia dragões cuspindo chamas sobre milhares de combatentes mortos-vivos. Nem uma sacerdotisa vermelha capaz de incendiar as espadas da cavalaria Dothraki fazendo delas armas de matar zumbis.

Também não se esperava o asfixiante contra-ataque do Rei da Noite e seus soldados em variado estado de decomposição – o arsenal de vidro-do-dragão e aço valiriano não foi suficiente para conter a horda que se abateu primeiro sobre os cavalarianos para depois cair em cima da infantaria, disciplinada como espartanos, fiel à rainha Daenerys Targaryen, que conseguiu perder o rumo na hora da pancadaria e, de quebra, caiu do dragão.

O espetáculo foi muito bom. Poderia ter sido tudo bem diferente se Sapochnik tivesse optado por uma cena diurna, ainda que naquele tom branco gelo do interminável inverno em Westeros. Melhor assim. Ficou sinistro. Correr pelos corredores e ameias da fortaleza sem saber se a sombra à frente é a de um White Walker furtivo (furtivo!) é mesmo de perder uma batida do coração. E ao que de fato interessa.

O longo treinamento da pequena Arya, físico e espiritual, a determinante do momento culminante em que ela faz uma manobra precisa e mata (mata?) o Rei da Noite, extinguindo a massa de seguidores ressuscitados. Isso dá a ela uma nova posição entre as líderes femininas da trama de George R.R. Martin. 

Cada vez fica mais claro que a luta final será um confronto entre rainhas e princesas – Daenerys, Sersei, Arya e Sansa, talvez com Yara Greyjoy entrando na coalizão. Os galãs vão mal. Jon Snow, Jaime e Tyrion Lannister, cada um a seu modo, poderiam ter mostrado serviço em uma história na qual uma garota, Lady Lianna, liquida um gigante, e uma guerreira de metro e meio acaba com o grande vilão da história.

Bem, ainda terão a oportunidade. Até 19 de maio muita bronca vai rolar pelo fosso da fortificação de Winterfell. 

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