Ana Paula Padrão revê a vida fora da bancada ao comandar reality

Apresentadora volta à TV à frente do 'MasterChef', na Band, e diz não estar tão distante do jornalismo

Entrevista com

Ana Paula Padrão

João Fernando, O Estado de S. Paulo

07 Setembro 2014 | 03h00

Dar adeus ao terninho, ao teleprompter e ter liberdade para ser mais espontânea diante das câmeras tem deixado Ana Paula Padrão com riso solto. “Sou animada. Preciso mesmo disso. São 12 a 14 horas de gravação por dia. Se você não fizer bem, não aguenta 15 dias. A gente já está há 40 e tem mais um mês pela frente”, disse a apresentadora num figurino mais despojado e salto alto cujo caminhar chama a atenção enquanto ela circula pela sede da Band, distribuindo acenos para os conhecidos.

Quase um ano após deixar a Record, ela voltou à TV para comandar o MasterChef, exibido todas as terças, às 22h45. Ainda em fase de adaptação ao novo trabalho, reality em que amadores avaliados por chefs querem o título de melhor cozinheiro, ela conversou com o Estado sobre a transição dos telejornais para o entretenimento. Hoje, além do expediente na emissora, ela administra os negócios e um curso online para levantar a autoestima das mulheres.

Como pensava a nova função?

É difícil mesmo fazer a transição da bancada do jornalismo para qualquer coisa na televisão. Não imaginei que fosse voltar para a TV tão cedo. Saí da bancada e fui cuidar das minhas empresas (a produtora Touareg e o site Tempo de Mulher). Fiquei lá mais de um ano, fiz o que queria. Toda vez que conversava com a Band, pensava que não fosse achar o formato que me agradasse. Até o dia em que falaram do MasterChef. É uma transição suave da bancada para um mundo menos formal. O grau de informalidade no MasterChef não é completo. Existem regras para seguir. Obviamente, sou uma pessoa diferente. Ao mesmo tempo, não é um papel principal. O principal são os competidores e os jurados. Eu só guio, sou só a cronista. É confortável. 

Como foi o assédio da Band?

Logo que saí da Record, o Johnny (Saad, presidente do Grupo Bandeirantes) me chamou para almoçar. Falei que precisava estar com as empresas. Ele não me fez nenhuma proposta, mas era óbvio que havia abertura. Mas não havia um produto que não fosse jornalismo e que tivesse cabimento para mim e para a casa. Num desses almoços, conheci o Diego (Guebel, diretor de conteúdo da Band). Um dia, ele falou do MasterChef. Cheguei em casa e perguntei ao Walter (Mundell, marido): “Você sabe o que é MasterChef?”. Nem eu. Fui descobrir o que era. 

O que achou?

Vi vários episódios pelo mundo (o formato está em 145 países) e fiquei com mais dúvida, pois a maioria não tem apresentador. No norte-americano, tem Gordon Ramsay. De fato, não precisa de um apresentador, mas a fórmula que encontramos aqui é interessante. Os chefs não são pessoas publicamente reconhecidas, apesar de muita gente os conhecer. Depois que os personagens ficaram só em 16, consegui sair para fazer reportagens. Isso aproxima o participante do telespectador. 

Agora sente que pode ser você mesma no vídeo?

Mais ou menos. Talvez em outro formato, não nesse. Há regras muito rígidas que estou ali para dizer. Elas têm de ser bem explicadas. Por isso, não preciso deixar de ser uma âncora para ser uma pessoa molinha, que passou a vida no entretenimento. Não sei se conseguiria. De uma certa maneira, continuo sendo a repórter, só que com outras funções. Definitivamente, não virei uma apresentadora de entretenimento de uma hora para a outra. E eu não preciso mesmo ser. 

Tem mais planos na emissora?

Não sei. Assinamos por um ano. Vamos ver o desempenho do programa e depois conversamos. Não preciso necessariamente passar para outro produto depois. Não estou aqui com a finalidade de, daqui a meses, ter um programa próprio. Não sei se quero. Esse foi o único produto ao longo de um ano que me agradou.

Acha que o público vai mudar a visão que tem de você?

Tenho um monte de fãs. Estou fazendo uma coisa que me dá felicidade. Meu objetivo não é fazer a transição perfeita. Não há nenhuma estratégia de carreira. Um dia, pensei: “Não quero mais fazer jornalismo”. O que quero fazer depois eu não sei, estou aqui para tentar encontrar. Meu marido é louco para sair do Brasil. Vai que ele leva esse plano a sério? Vou com ele, que é prioridade. Estou me divertindo muito. Não é um produto que avilta nenhuma das minhas certezas. Eu não precisaria de uma hora para outra ser âncora de um programa de entretenimento. É a primeira vez em que apareço fora do ambiente 100% com alguma coerência. Mas não tem nada planejado para depois. Se houver outro MasterChef para depois de amanhã, eu penso.

Sentia falta de estar na TV?

Não. Eu estava há muitos anos cansada da bancada. Na essência, sou uma repórter. Sair da bancada era difícil, por conta dos compromissos assumidos. Entendo que o retorno comercial era bom para as emissoras e para mim. Isso foi uma estratégia. Montei empresas para depender apenas delas no dia em que eu quisesse dizer “chega”. Não preciso do faturamento da televisão, estou aqui porque gosto. Está bem confortável para mim.

Agora que largou o jornalismo, aceitaria fazer publicidade?

Desde que deixei a bancada, recebi muitas propostas. Achei que não era a hora ainda. Não descarto completamente. Essa, sim, tem de ser uma transição com um pouco mais de estratégia. Quando você acumula um patrimônio de credibilidade, é bom para o anunciante se associar a você. Não estou tão preocupada com a reação do público. Antes de a gente começar a gravar, a casa perguntou se eu queria fazer merchandising. Eu falei que, por enquanto, não. Já era coisa demais tentar me colocar em um programa. Estou tendo a oportunidade de aprender antes de ser jogada aos leões em um programa sozinha, entendeu? Posso até decidir que não quero um programa meu. 

Você parece ter alcançado seus objetivos. Quais suas ambições neste momento?

Em TV?

Na vida.

Meu marido está com 60 anos e eu com quase 50. Tenho 48. Quero ter uma vida mais tranquila. A gente precisa se divertir mais. Acabou aquela fase da minha vida de só produzir. Um dos motivos pelos quais não quero mais a bancada é ter trabalho de segunda a sexta mais os plantões de sábado. Você tem uma responsabilidade sobre aquilo. Ali, sim, fica tudo nas suas costas. Aqui, se eu ficar doente, a cozinha vai andar. 

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