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Amy Poehler mostra a sua graça na 6ª temporada de 'Parks and Recreation'

Consagrada no Globo de Ouro, humorista reestreia no País em sua melhor forma

Clarice Cardoso, O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2014 | 21h00

Minutos antes do anúncio da vencedora de melhor atriz em série cômica no Globo de Ouro, um espectador insuspeito poderia voltar-se para Lena Dunhan, da série queridinha da imprensa Girls, ou para Julia Louis-Dreyfus, da surpreendente Veep. Mas um olhar atento estaria no palco, na apresentadora Amy Poehler. Depois de duas indicações seguidas, ela enfim levou para casa sua estatueta pela interpretação da otimista funcionária pública Leslie Knope.

O trabalho que levou ao troféu pode ser conferido a partir de deste sábado, às 20 h, quando estreia no canal Sony a sexta temporada de Parks and Recreation. Foi a primeira grande premiação a reconhecer a qualidade da produção.

Foi o Saturday Night Live que lançou a carreira humorística de Amy para o mundo – e é a 39.ª temporada do programa que abre a noite do Sony, às 18h30. Já em sua primeira temporada ali, em 2001, ela foi contratada para o elenco permanente, onde ficaria até 2009. No ar, fez imitações memoráveis de Hillary Clinton, Madonna, Lindsay Lohan e até do ditador coreano Kim Jong-il. A química com Tina Fey sempre foi impressionante, e alavancou a carreira das duas.

Enquanto Tina se dedicava a 30 Rock, Amy estreou em Parks como Leslie, a coordenadora do departamento de parques da pequena cidade fictícia de Pawnee. Admiradora das mulheres de fibra, ela sonha ser presidente dos EUA. Leslie é adorável, irritantemente otimista e acorda todos os dias disposta a tornar sua cidade a melhor do país – mesmo sendo esta a líder em obesidade e tendo como celebridade o pônei Li’l Sebastian. As bizarrices que definem o município se tornaram um componente cômico à parte.

Os criadores Greg Daniels e Michael Schur sabiam o que estavam fazendo quando idealizaram a produção, que quase foi uma derivada de The Office, de onde os dois vieram – ao menos essa foi a encomenda que receberam. Tiveram a esperteza de manter da outra o espírito de humor simples, os personagens exóticos e o gênero de documentário cômico (em que os personagens fingem participar de um filme de não ficção e dão depoimentos para a câmera). Outra inspiração para Parks and Recreation é menos óbvia: o drama da HBO The Wire.

É verdade que uma primeira temporada irregular precisou de ajustes: Leslie era vista como avoada demais pelo público, e os roteiristas decidiram incorporar eventos do noticiário, adaptando-os à vida de Pawnee. Assim, os críticos começaram a notar e a elogiar suas qualidades.

A temporada que começa hoje tem início em Londres, mas será em casa que as coisas vão ficar sérias. Depois de todas as conquistas e da boa vontade de Leslie, ela enfrentará seus adversários, que estão em campanha para destituí-la do cargo. É a primeira vez que seu quase ingênuo desejo de fazer o bem ameaça sumir. Será um bom ano também para o notável Ron Swanson (Nick Offerman), que se verá tendo de repensar as regras que regem sua rústica filosofia de vida.

Vale notar que será uma das últimas oportunidades para ver Rob Lowe (Chris) e Rashida Jones (Ann), já que eles não estarão na já confirmada sétima temporada. Lowe está até trabalhando em outro piloto, The Pro, em que interpreta um tenista aposentado.

Risco assumido. Antes de Parks, o Sony coloca no ar uma nova comédia, The Neighboors. Tudo começa quando Marty Weaver (Lenny Venito) se muda com a família para um condomínio fechado apenas para descobrir que seus vizinhos são alienígenas que estão presos na Terra há anos, aguardando o chamado para voltar para casa. Quando estreou nos EUA, logo surgiram comparações com 3rd Rock from the Sun. É tudo meio esquisito e, para ir direto ao ponto, The Neighboors foi eleita a nova série mais odiada do ano pela crítica em uma reportagem do Huffington Post. Quase que inexplicavelmente, vai sobreviver para mais uma temporada.

A noite termina às 20h30 com Trophy Wife. A premissa questionável é: loira jovenzinha e descolada resolve se casar com um homem de meia-idade e se torna seu “troféu”. Depois das bodas, precisa lidar com as ex e os filhos dele. Os criadores tentam convencer a audiência de que o conceito do programa é mais do que o título (bastante) infeliz sugere. Sejam quais forem suas reais intenções, não devem ter tempo de provar nada: a série caminha para um cancelamento quase certo.

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