Amor e sexo. Ou vice-versa

Globo experimenta tocar no assunto em 5 edições, com ritmo de auditório e sob alcance de todos

Alline Dauroiz e Cristina Padiglione, RIO, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2009 | 01h55

O programa se chama Amor & Sexo. Quer falar sobre sexo, relações amorosas e afins, como se fosse conversa na mesa do jantar, ao alcance de toda a família, mas pretende ser compreendido como atração de entretenimento. Ah, então é um programa de auditório? Também. Pode informar e educar (embora não abrace esta causa como compromisso), mas "jamais deseducar".

Há um cuidado extremo na escolha das palavras do diretor Ricardo Waddington para definir o novo produto da TV Globo, que estreia sexta-feira, às 23h30. Desde que Marta Suplicy respondia a dúvidas de telespectadoras no revolucionário TV Mulher, nos anos 1980, a Globo tem pisado em ovos para entrar nesse terreno. Não à toa.Falar de sexo numa TV aberta dirigida à massa pede habilidade extra para não constranger gentes de perfis tão distantes, seja em faixa etária, social ou geográfica - o comportamento no interior do Acre não pode ser mensurado pelos hábitos do Sul Maravilha.

Até pela delicadeza que o tema exige, o programa se vale da nova política de programação da Globo - que instiga a criação de novos formatos, testados por meio de curtas temporadas - e chega ao ar com apenas 5 edições. É o tamanho de uma microssérie como Decamerão, que acaba de se despedir do horário. Se vingar, outra safra virá e o título será aclamado como sucesso. Se o Ibope responder mal (para o padrão Globo, bem entendido), Amor & Sexo terá sido, como se diz, um grande aprendizado.

O título faz jus ao caráter de entretenimento. Tem Léo Jaime no palco, com banda e repertório inspirado no tema, auditório de 400 pessoas, games com famosos, enquetes feitas pela apresentadora Fernanda Lima nas ruas, casalzinho bem resolvido há mais de 50 anos, e, claro, psiquiatra e sexóloga em cena: a doutora Carmita Abdo, coordenadora do programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Hospital das Clínicas.

"Vai ter conhecimento, emoção, erotismo, sexo de todos os tipos, tudo sem cair na banalidade, na vulgaridade", diz Carmita. "E nenhum assunto é proibido", garante.

Experiente em TV, a sexóloga já participou como convidada de diversos programas na Globo e GNT. E assegura que a nova atração será bem diferente do que Marta Suplicy fazia nos anos 80, mesmo porque a aids mudou o jeito de as pessoas lidarem com a sexualidade.

"Hoje, existe a necessidade de se falar de sexo de forma mais completa, para preservar as pessoas de uma ameaça", explica Carmita. Outra mudança, segundo a doutora, é o fato de a medicina deixar de tratar o tema somente como "sexo reprodutor". "Agora, o sexo erótico também tem abrangência, para amenizar o sofrimento de quem tem limitações."

NAMORO NA TV

Modelo, atriz e jornalista, Fernanda Lima tem experiência em ancorar programa sobre relacionamento. Em 2003, apresentou o Fica Comigo, atração de namoro da MTV. Agora, terá de atingir um público mais velho. "O link que fazem entre mim e os adolescentes é natural, mas nunca apresentei programa com gírias, maneirismos, falando: ?E aí, galera??, ?Irado?", explica. "Vou tentar não falar palavras que deixem as pessoas desconfortáveis. Será algo elegante."

Para ajudar na tarefa, além de cantar na banda, Léo Jaime servirá de apoio para a apresentadora no palco. "Me chamaram para dar um toque divertido, para interagir com a Fernanda", diz o cantor. "Por isso, digo que sou o Louro José dela (risos)."

Jogos com a plateia e com celebridades servirão de estímulo para as pessoas falarem sobre o assunto. Mas tudo sem muita exposição. "Não vou ficar perguntando da vida pessoal de ninguém, nem vou expor a minha. Serão opiniões", diz Fernanda.

Disposto a manter suspense sobre algumas ideias do programa, o diretor Ricardo Waddington promete espaço ao público, que poderá participar, com "todas as ferramentas existentes", seja lá o que isso queira dizer. Carmita aumenta o coro: "O diferencial desse programa será a interatividade."

"Sexo sempre foi um tabu, mas quanto mais a gente fala, mais a gente se torna natural", acredita Fernanda.

Viagem feita a convite da Globo

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