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'American Crime' vem pronta para criar polêmica

Série dramática quer levantar temas com alto potencial de discussão relativos a raças e culturas

Greg Braxton, Los Angeles Times

08 de junho de 2015 | 05h00

Depois de várias décadas sem produzir comédias e dramas que reflitam a mudança demográfica na sociedade, os grandes canais finalmente começam a apresentar séries tendo personagens principais de cor e temas raciais. How to Get Away with Murder, Empire, Fresh off the Boat e The Mindy Project são algumas das séries elogiadas porque trazem uma maior variedade cultural para o ambiente da televisão. E mais importante ainda, muitas registram sólidos índices de audiência.

Mas, com exceção da série The Wire, da HBO, que terminou em 2008, o horário nobre tem evitado, e muito, examinar tensões étnicas e raciais, preconceito e discriminação de alguma maneira contínua. Agora, com os assassinatos de negros desarmados pela polícia, como ocorreu em Ferguson, Montana e em Nova York, o que provocou protestos e novos apelos no sentido de um autoexame cultural, chega a série American Crime, de John Ridley, que é exibida no Brasil pela AXN.

Ridley, que conquistou um Oscar no ano passado pelo seu roteiro para o filme 12 anos de Escravidão, criou a série de 11 episódios que gira em torno de uma brutal invasão de domicílio vista pelo prisma da raça e cultura. A série, estrelada por Felicity Huffman, Timothy Hutton e Benito Martinez, é uma das mais provocativas – e arriscadas – análises dramáticas das relações raciais, realizadas por uma rede de TV.

“Certamente estamos empenhados em produzir uma série que reflita o que vem ocorrendo no país atualmente”, disse Ridley. “Este foi o mandato que me deram, ser franco neste tipo de discussão”. Embora a série tenha começado a ser gravada antes dos explosivos eventos em Ferguson e Nova York, Ridley admite que os espectadores farão paralelos entre os fatos reais e os ficcionais.

“No ponto em que as coisas estão nos EUA hoje, paralelos serão traçados”, disse Ridley, que desenvolveu o projeto com o produtor executivo Michael J. McDonald. “A triste realidade é que, infelizmente, tais fatos são cíclicos em nosso país. Jamais foi nosso desejo explorar esses eventos, não quero apenas falar, mas levar as pessoas a sentir, reavaliar o mundo ao seu redor”. Mas há uma grande incerteza quanto a se o público responderá à fibra de American Crime. Embora desfrutando de um público leal, The Wire nunca se tornou um enorme sucesso no canal pago. Sua posição como uma das séries de TV mais destacadas da era moderna se consolidou depois de cinco anos no ar, graças em grande parte à aclamação da crítica e o boca a boca intenso.

“O público telespectador claramente manifestou interesse em ver diversidade na sua sala de estar, mas eles realmente querem que os temas sejam tratados de maneira séria, intensa?” indagou Darnell Hunt, diretor do Ralph J. Bunche Center for African American Studies da UCLA. “O que resta saber é de quais gêneros e formatos os telespectadores realmente gostarão quando se trata de raça.

“Espero que consigam suportar séries que mexem com as emoções e nem sempre têm um final feliz”. A série American Crime foi estruturada de maneira similar à de filmes como Crash e Babel, onde várias histórias e personagens aparentemente sem nenhuma ligação acabam se unindo num único evento. Neste caso, é o terrível ataque contra um casal branco vivendo na cidade-dormitório de Modesto, Califórnia, ataque em que o marido, o militar veterano Matt Skokie, morre e sua mulher, Gwen, ex-rainha de beleza, é ferida gravemente.

Os suspeitos presos e acusados do crime são todos de comunidades minoritárias: o viciado afro-americano Carter Nix (Elvis Nolasco) o bandido mexicano tatuado Hector (Richard Cabral) e o ingênuo adolescente de nacionalidade mexicana e americana Tony Gutierrez (Johnny Ortiz). TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 


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