TV Globo/Divulgação
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Ambição pessoal e corrupção política, temas de ‘Babilônia’

Nova novela das 9 da Globo, que terá Adriana Esteves e Glória Pires, tem cenas gravadas em Paris e Dubai

Andrei Netto , Correspondente - O Estado de S. Paulo

07 Dezembro 2014 | 07h00

PARIS - No primeiro capítulo, Beatriz, personagem de Glória Pires, e Evandro, Cássio Gabus Mendes, passeiam por pontos turísticos de Paris, como a Ponte Alexandre III, os Jardins de Luxemburgo e a Praça de Voges. Mas a relação amorosa incipiente e os cenários românticos da capital francesa escondem cobiça e calculismo puro. Começa aí a trama escrita por Gilberto Braga para a nova novela das nove da Globo, que tem previsão de estreia para o dia 23 de março de 2015. Entre ambições pessoais desmesuradas e corrupção política e empresarial, Babilônia – ou Rio Babilônia, o título segue indefinido – volta ao Brasil do vale-tudo.

Depois dos workshops com todo o elenco em novembro, no Brasil, as primeiras cenas serviram como o pontapé inicial do projeto, substituindo Império, de Aguinaldo Silva. As gravações tiveram início em duas locações no exterior, primeiro em Dubai, nos Emirados Árabes, na semana retrasada, e a seguir em Paris, entre o último domingo e a terça-feira.

Após o sucesso de Carminha em Avenida Brasil, Adriana Esteves volta a viver uma vilã. Suas primeiras gravações aconteceram no emirado ao lado de Sophie Charlotte – sua filha na história, uma prostituta de luxo – e Tuca Andrada. Adriana vai travar uma espécie de duelo de vilania com Glória Pires, que entrou em cena dias mais tarde, na segunda e terça-feira passada, em Paris, sob o frio de 3ºC do inverno europeu. As gravações, realizadas em três dias, exigiram a contratação de uma equipe de produção local e o deslocamento de 19 pessoas do Brasil, em um total de 45 participando nas oito locações. 

Nas primeiras imagens gravadas pelo diretor da novela, Dennis Carvalho, ela aparece ao lado de Cássio Gabus Mendes, ora passeando em parques e avenidas, ora jantando no Tour d’Argent, um dos mais tradicionais e elitistas restaurantes de Paris. A ideia é mostrar a riqueza de Evandro e o refinamento do casal no início do relacionamento, em 2005 – entre o primeiro momento e o desenrolar da história, passam-se 10 anos.

Empreiteiro megalomaníaco que perdeu a mulher – melhor não revelar as circunstâncias da morte –, Evandro se deixa seduzir por Beatriz durante a viagem a Paris, onde passam o ano-novo juntos. Detalhe: além de empresária falida, ela faz tipo viúva-negra, aficionada por sexo. “A Beatriz acaba cometendo um assassinato, mas é circunstancial”, revela Glória. “Ela chega quebrada ao Brasil, está viúva, vive de aparências e planeja um casamento com Evandro.”

O problema é que o personagem de Cássio Gabus Mendes também não é um exemplo de ética. “Evandro é um empreiteiro sem escrúpulos e bon vivant”, conta, brincando: “Gambá cheira gambá. Vamos ver o que vai acontecer. Vai ser interessante. Vamos ter uns conflitos pela frente que são muito legais, muito interessantes”.

Ética em questão. A multiplicação de vilões na novela terá como contrapeso a heroína Camila Pitanga. Mas a densidade demográfica de cretinos e malfeitores por cena escrita por Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga lembra outra novela, do mesmo autor e também com Glória Pires e Cássio Gabus Mendes, que fez história na Globo: Vale Tudo (1988). Assim como a já clássica história de Raquel Accioli (Regina Duarte), Maria de Fátima (Glória Pires) e Odete Roitman (Beatriz Segall) girava em torno da ‘Lei de Gérson’, a cultura de levar vantagem em tudo, Babilônia traz à tona os desvios éticos da sociedade brasileira, um tema recorrente nas novelas de Gilberto Braga. 

Mas, segundo Dennis Carvalho, que também dirigiu Vale Tudo, não se trata de uma retomada pura e simples do tema. “Vale Tudo era de uma outra época, mais sobre a ‘Lei de Gérson’, sobre se vale a pena ser honesto no Brasil. Essa é mais sobre conflitos humanos e éticos, mas ética moral”, explicou, frisando que a trama atual dirá respeito à dignidade e à honestidade dos personagens, em especial de Camila Pitanga, no papel de Regina, uma moradora do Morro da Babilônia, e Thiago Fragoso, que será Vinícius, um advogado rico e influente, que farão um casal com bons valores éticos. “É sobre conflitos de relações humanas que ele (Gilberto Braga) faz muito bem desde Vale Tudo”, diz o diretor. “É a ambição do ser humano de subir na vida, de conquistar um amor custe o que custar, de todas essas fraquezas e angústias que o ser humano tem, que causam conflito e dão uma boa trama, uma boa novela.”

Assim como Vale Tudo, o tema de Babilônia estará em sintonia com a realidade do País. Entre os personagens, há empreiteiros oportunistas e pelo menos um político corrupto, que deve ficar a cargo de Marcos Palmeira. Pura coincidência, assegura Dennis Carvalho, quanto ao recente escândalo de corrupção na Petrobrás. “A sinopse foi entregue há mais de um ano”, garante ele. 

A Globo faz mistério e evita falar sobre a trama, mas o que transparece das conversas é – como sempre acontece – uma novela ambientada em dois universos, um rico e outro pobre, um das elites econômicas e outro da favela. Pelas informações que vazaram até aqui sobre os personagens principais, fica subentendido que os honestos estarão entre os mais desfavorecidos, enquanto os mais inescrupulosos viajam a Paris. Resta saber se o título provável da novela, Babilônia, se limita a uma referência à favela no morro da zona sul do Rio, que ambienta parte da trama, ou também é um jogo de palavras, uma alusão à Babilônia, na antiga Mesopotâmia, cujo declínio e destruição são lembrados no mito de uma cidade que simbolizava o pecado e a perseguição.

Beijos. Depois das polêmicas envolvendo beijos gays que não aconteceram, e outros que enfim se materializaram na TV brasileira, o tema da homossexualidade volta com força, ainda que com discrição. Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg deverão viver um casal de lésbicas que moram juntas, em uma relação estável e madura, mas alvo de intrigas e mesquinharias. A ideia desta vez, assegura Dennis, é de fazer do tema um dos panos de fundo da história, abordando-o com naturalidade. “Vai ser tratado com muita elegância, com bastante carinho. Elas vivem um casal de octogenárias já casadas mesmo, que moram juntas há muitos anos”, afirmou o diretor, descartando a hipótese de fazer do assunto tema de militância. “Não é nada para se levantar bandeiras.”

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