Natalia Mantini/The New York Times
Natalia Mantini/The New York Times

Alicia Silverstone estrela a série 'American Woman'

Após tropeço inicial, atriz tem uma segunda chance

Margy Rochlin, THE NEW YORK TIMES

18 Junho 2018 | 19h14

LOS ANGELES - Alicia Silverstone apareceu na janela do andar superior da sua casa, em Hollywood Hills, com a pasta de dente escorrendo da boca e gritou: “Já vou descer. Estou escovando os dentes”.

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A julgar pela situação do seu quarto - cama desarrumada e roupas espalhadas - percebemos que sua agenda é concorrida. Ela retornou recentemente de Montreal, onde filmou o horror Boa Noite, Mamãe e nessa manhã de maio estava juntando as coisas que levaria para Pacific Palisades, set de filmagem da comédia Judy Smal. “Roteiro, bolsa, sapatos.”

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As blusas amassadas e as jaquetas jogadas estão bem longe do closet informatizado associado indelevelmente a ela por causa de seu trabalho como Cher Horowitz na comédia As Patricinhas de Beverly Hills, de 1995. Produzida com apenas US$ 12 milhões, arrecadou mais de US$ 56 milhões e gerou uma onda de filmes de adolescentes e previsões de que ela se tornaria uma superestrela. Mas o que ocorreu foi uma reação em cadeia do setor de entretenimento: alguns grandes cachês, fracassos de bilheteria e depois a reação negativa.

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Mas apesar de Alicia ter passado as últimas décadas na carreira com papéis em pequenos filmes, na TV e no teatro, ainda é daquelas atrizes que as pessoas perguntam onde estaria.

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Hollywood reluta em dar às mulheres uma segunda chance, mas Alicia, hoje com 41 anos, de repente parece estar em toda parte. Só no ano passado ela apareceu em quatro filmes, incluindo seu papel em Diário de Um Banana e uma mãe desesperada no filme de horror psicológico de Yorgos Lanthimos, O Sacrifício do Cervo Sagrado.

Embora não tenha muitos diálogos no filme Do Jeito Que Elas Querem, recém-lançado, ela ainda irradia charme como filha de Diane Keaton. E agora retoma o papel principal em American Woman, nova série de TV da Paramount Network. Ambientada na Beverly Hills dos anos 1970 se baseia nas memórias de infância de Kyle Richards, ex-atriz infantil e hoje estrela da série The Real Housewives of Beverly Hills. Alicia é Bonnie Nolan, mãe de duas crianças que expulsa o marido mulherengo de casa e está determinada a se sustentar e a sua família. “A personagem me atraiu porque ela cai e se levanta.”

Ao contrário de Kyle Richards, cujas aparições como atriz convidada na TV ajudaram a manter sua família, Alicia cresceu confortavelmente nos subúrbios de São Francisco. Filha de imigrantes ingleses, o pai um investidor imobiliário, e a mãe comissária de bordo, Alicia trabalhou como modelo dos 8 aos 12 anos. Usava seu salário em cursos de teatro e foi descoberta em um workshop de interpretação em Los Angeles. Logo conseguiu um agente, depois um comercial da Pizza Domino’s, um papel como atriz convidada em The Wonder Years, depois atuou no filme Me and Nick, e apesar da escassa filmografia, conseguiu o papel principal em Paixão Sem Limites, thriller psicológico em que ela faz uma adolescente sedutora perturbada.

Em 1993 Marty Callner, depois de 20 minutos assistindo a Paixão Sem Limites, viu que encontrara a heroína para estrelar um trio de vídeos do Aerosmith que ele estava dirigindo. “Não era por ser fotogênica, bonita, mas ela tinha a linguagem do corpo e a insolência corretas.”

Os vídeos ressuscitaram a popularidade do Aerosmith, transformaram Alicia numa estrela da MTV e inspiraram Amy Heckering, diretora de As Patricinhas de Beverly Hills, que ligou para Callner para saber como era trabalhar com ela.

Amy estava com dificuldades para encontrar uma atriz que conseguisse transformar um diálogo sarcástico em algo suave. Quando encontrou Alicia, viu que estava diante da Cher perfeita. “Ela tinha alguma coisa de infantil, totalmente inocente e ingênua.”

Os críticos, o público e executivos da área também se apaixonaram por ela. Alicia não tinha 20 anos ainda e ela e sua empresa First Kiss Productions firmaram um contrato de US$ 10 milhões para produzir dois filmes na Columbia Pictures. Mas o romance acabou tão rápido como quando começou. Quando o único resultado do contrato foi Excesso de Bagagem, mal recebido pela crítica, Alicia foi execrada pela mídia. “Hollywood devora seus jovens”, afirmou Kyle Heckerling. “Ela não recebeu nenhuma orientação.” Hoje, indagada sobre que conselhos buscou em tempos tão turbulentos, lembrou: “Não havia ninguém. Naquela época estava sozinha”.

Recentemente, Alicia pediu divórcio do marido, com quem estava há 13 anos, Christopher Jarecki. Na época, ele surpreendeu ao declarar: “Estou numa fase incrível em minha vida. Sou uma mãe devotada e minha carreira não poderia estar num momento melhor”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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