FELIPE RAU/ESTADÃO
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Alice Braga dubla a si em série importada pelo canal Space

Atriz fala de 'A Rainha do Sul', sua primeira série para TV americana, com posto de protagonista

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2016 | 08h00

Alice Braga chega a uma sala cheia de jornalistas à sua espera na nova sede da Turner em São Paulo, agradecendo a presença de todos naquela chuvosa manhã de terça-feira. “Sei que não é fácil chegar à Vila Olímpia”, diz. Dali, sairia direto para o Aeroporto de Guarulhos, rumo a Los Angeles, onde mora. Abriu uma brecha na agenda só para falar de A Rainha do Sul, série protagonizada por ela, em sua estreia na TV norte-americana. 
Coprodução da Fox 21 Television Studios e Universal Cable Productions (PCD), a série vai ao ar nos Estados Unidos pelo canal USA e chegará aqui pelo canal Space, da Turner, a partir de 7 de julho, às 22h30, em 13 episódios semanais. Já produzido como telenovela na Telemundo, rede hispânica nos Estados Unidos, The Queen of the South é baseada no romance La Reina Del Sur, de Arturo Pérez-Reverte. 
Alice faz Teresa Mendoza, a própria rainha do tráfico, mas ressalta que não é megera, não mata à toa e só pega no revólver por questão de sobrevivência. Meteu-se, o quanto pôde, em muita cena de ação, mas contou com três dublês para momentos de pirotecnia maior e saltos que pudessem colocar a protagonista em risco. E que ninguém venha lhe cobrar pelo sotaque. Após discutirem algumas alternativas do acento de Teresa, os produtores acharam por bem manter algum resquício de latinidade na sua fala. “Preferiram que eu fizesse o inglês com sotaque de brasileira, que tenho me esforçado para neutralizar. ‘A gente não quer esse inglês limpo, é pra sujar’, disseram.”
Alice passou seus sete últimos dias no País dublando a própria personagem para a versão em português que o Space oferece como opcional ao áudio original. O livro, ela leu há oito anos, presente de uma amiga que viu na protagonista do enredo uma personagem riquíssima para qualquer atriz. “É difícil ter a chance de um protagonismo feminino num universo como este, de tráfico de drogas, que é muito masculino. E isso, nesse momento em que se discute a valorização feminina, é muito especial.” Embora conhecesse a história dessa mulher que cresceu nas ruas do México e foi abusada sexualmente quando jovem, Alice quis a palavra dos roteiristas, de cara, de que a série não faria uma “glamurização das drogas”. “Porque o que está acontecendo no mundo, principalmente no México, é muito sério, muito triste.”
O México também foi alvo de conversas nos intervalos de filmagem com a colega mexicana Veronica Falcon, enquanto lá fora do set, Donald Trump, candidato à presidência dos EUA, menosprezava a força do trabalho dos imigrantes latinos. Afinal, a exibição de The Queen of the South por um canal não dirigido especificamente à comunidade hispânica endossa que o discurso do republicano segue na direção equivocada. “Esse projeto vem de um desejo do USA Network de atingir o público latino”, afirma Alice. “A gente está falando em inglês, lógico, os personagens são mexicanos, mas a ideia é atingir a todos e também gerar uma identificação não só nos imigrantes, mas na segunda e já na terceira geração deles nos EUA, que continuam falando que são mexicanos.”/ C.P.

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