Aline Masuca/Estadão
Aline Masuca/Estadão

'Além do Tempo' entra na 2ª etapa com atores vivendo seus papéis nos dias atuais

Novela era de época na 1ª fase

Adriana Del Ré, O Estado de S. Paulo

11 Outubro 2015 | 03h00

A partir do próximo dia 21 - mais precisamente no final do capítulo do dia 20 -, a novela das 6, Além do Tempo, de Elizabeth Jhin, na Globo, passará por uma virada sem precedentes. O folhetim entra numa segunda fase. Até aí, não é nenhuma novidade, você pode pensar. Mas, diferentemente de outras novelas, que usam esse recurso para fazer um pequeno avanço no tempo - e justificar o envelhecimento dos personagens ou mesmo retratar gerações posteriores a eles com troca de elenco -, Além do Tempo mostrará todos atores da primeira fase, retratada no Sul do Brasil, no século 19, assumindo os mesmos papéis, só que nos dias atuais. 

Explica-se: os personagens reencarnaram e, segundo os princípios do espiritismo nos quais a autora se inspira, terão uma nova chance para resgatar relações e histórias mal resolvidas, melhorar e evoluir - ou não, dependendo das escolhas feitas. Juntamente com a passagem de 150 anos, a ‘novela de época’ fica para trás e se fez necessária uma atualização geral, desde figurinos à cenografia, passando por trilha sonora e até abertura da novela. Para o público, já envolvido com a trama de romances, mas também de intrigas e traições engendradas por Condessa Vitória (interpretada com grandiosidade por Irene Ravache), em tempos de papéis bem definidos entre aristocratas e menos afortunados, a reviravolta poderá ser impactante. Para direção, produção, elenco e equipe em geral da novela, essa mudança premeditada desde o início já está presente no dia a dia deles. 

Desde a última semana, os atores tiveram que se despedir de seus personagens, muitos deles marcantes na narrativa, e já dar tom renovado a eles. Alinne Moraes, que vive a mocinha Lívia, por exemplo, acabou de gravar suas derradeiras cenas da primeira fase no final de semana passado e, na última quarta-feira, já encarnava a Lívia do século 21. “É muito pouco tempo para sair de um personagem, uma Irene Ravache abandonar uma Condessa em três dias é um desafio grande”, avalia o diretor Rogério Gomes. 

Lívia, aliás, voltará no mesmo núcleo familiar. Será novamente filha de Emília (Ana Beatriz Nogueira) e neta de Vitória (Irene Ravache), só que num outro contexto e numa outra configuração. Rechaçada na primeira fase por Vitória, que não aceitava a relação dela com o filho Bernardo (Felipe Camargo), Emília retorna nesta vida como sua filha. Vitória, por sua vez, não será tão poderosa como dantes e, a certa altura, precisará se desfazer do resto do patrimônio herdado e terá que contar com a ajuda de sua cunhada, Zilda (Nívea Maria), com quem nunca se deu muito bem - e que fora governanta da Condessa na vida passada. 

E, ao contrário de mocinha pobre, que vive em um convento, a atual Lívia é uma mulher bem-sucedida, que nasceu na Itália e cuja família é dona de uma grande vinícola na Toscana. Com a morte do pai enólogo, sua mãe passa a assumir os negócios do clã, que tem uma empresa de importação e exportação no Rio. Será também noiva do ciumento Pedro (Emílio Dantas). 

Mas, como “o amor atravessa os tempos”, Lívia e Felipe (Rafael Cardoso), par romântico que terá um final trágico na primeira parte da novela, se reencontrarão, por fruto do acaso, no Rio. Antes sobrinho-neto da Condessa Vitória, Felipe agora não será mais tão abastado. Será dono de uma pequena vinícola, mas levará uma vida confortável e feliz com a mulher, Melissa (Paolla Oliveira), que retornará mais amorosa e de bom coração, e com o filho (Kadu Schons). Eles viverão na cidade fictícia de Belarrosa, no Sul do País. 

“Felipe volta para fazer resgates, desde amorosos, e dele mesmo. Ele engolia tanta coisa, ficava remoendo. Agora, vem mais aberto para a vida, ele vem mais feliz, acho. É um cara apaixonado pelo que faz, ama o filho acima de qualquer coisa. Na outra vida, ele era um cara que se dava bem com todo mundo, falava com os empregados, mesmo fazendo parte da aristocracia da época”, descreve Rafael Cardoso, em entrevista ao Estado, por telefone, do Rio, já em meio ao frenesi da transição. 

O ator diz que chegou a ler a sinopse de como seria o personagem na segunda fase, lá no começo da novela, por curiosidade, mas que deixou para se aprofundar nele às vésperas dessa nova etapa. O desafio dessa mudança? “A dificuldade é conseguir manter alguma coisa (da fase anterior), porque é a mesma alma, né? Manter a essência e mudar todo o resto, taí o desafio na verdade.” 

COMO VOLTAM OS OUTROS PERSONAGENS

Bernardo 

(Felipe Camargo)

Enófilo e escritor, Bernardo é um dos maiores autores e documentaristas do mundo.

Zilda (Nívea Maria) 

É mãe de Felipe (Rafael Cardoso), Afonso (Caio Paduan) e Severa (Dani Barros). Tem relação conflitante com Vitória (Irene Ravache) e não tolera o sobrinho, Bento (Luiz Carlos Vasconcelos).

Emília (Ana Beatriz Nogueira)

Rica e ambiciosa, é mãe de Lívia (Alinne Moraes). Foi abandonada pela mãe, Vitória (Irene Ravache), que foi viver uma grande paixão.

Doroteia (Julia Lemmertz)

É carioca, conheceu um gaúcho, pai de Melissa (Paolla Oliveira), casou-se e foi morar em Porto Alegre. A contragosto, mudou-se para Belarrosa. 

Pedro (Emílio Dantas)

É um dos diretores da empresa da família da noiva, Lívia. Tem ciúme doentio da amada. 

ENTREVISTA - Rogério Gomes - DIRETOR

Para você como diretor, o que muda com essa nova fase?

Muda tudo. É como se estivesse fazendo uma outra novela, mas me preparei para isso: para fazer uma novela e, no meio, fazer outra. São duas novelas completamente diferentes. Existe um pouco da ferramenta de flashback. Todo o elenco, todo mundo ali está muito afiado, a disponibilidade deles é grande. Quando eles vieram, sabiam que a gente ia passar por isso. É muito pouco tempo para sair de um personagem. 

O quanto esses personagens se modificam?

Cada um tem sua mudança. Alguns já vêm resgatando o que deixou há 150 anos. Alguns vêm com as mesmas características e, durante essa segunda fase, vão se modificando. Essa é a segunda chance, o reencontro 150 anos depois desses espíritos. A Beth (Jhin, autora) traz todos para o mesmo lugar de origem, que é o Sul, e ali há esse reencontro dessas pessoas que já viveram no passado.

E quanto a direção ajuda os atores nessa busca do tom tão rápida dos personagens?

Algumas coisas, é preciso direcionar, dar uma unidade. Como não há tempo de compor, de estudo de personagem, de leitura, a gente vai trocando ideia no set. Na primeira fase, fizemos uma preparação. Dessa vez, não dá. Eles sabiam disso e apostaram. A gente tem uma coach, que está fazendo um trabalho de desapego do personagem (com os atores). São cerca de 40 pessoas no elenco. 

Para o telespectador, deve ter um impacto também, porque ele já está acostumado com aqueles personagens, cenários...?

É um desafio, o projeto sempre foi esse. Acho que a gente consegue que seja um atrativo para o público ver como essas pessoas voltam 150 anos depois, quais são as consequências de seus atos, a história do carma. Estamos mudando completamente a história, mas vamos ter uma divulgação bem grande para explicar e sermos respeitosos com as pessoas que assistem à novela. / A.D.R.

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