Alcoviteiros têm muito a aprender nas novelas

Na próxima encarnação, quero nascer personagem de novela. E do Gilberto Braga porque, entre outros motivos mais óbvios, os figurinos são quase sempre da Marília Carneiro. Mas eu também ficaria contentinha numa novela do Silvio de Abreu, que não costuma maltratar muito suas heroínas; ou da Glória Perez, porque adoro dançar na sala de casa; e frequentaria com gosto os capítulos escritos pelo Carlos Lombardi, onde há sempre moços bonitos para se encontrar em qualquer esquina.

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 23h19

Ser personagem de novela é ter a "quase total certeza" de que tudo vai terminar bem. É a garantia de que mesmo que se passe a novela toda à míngua, sem grandes falas e sem dar uma beijoca sequer, a chance de encontrar alguém no último capítulo para dividir o "felizes para sempre" é bem grande. Melhor que consórcio e carnê do Baú.

Se na vida real, dizem, há sempre um chinelo velho para um pé cansado, na telenovela há sempre um personagem sozinho para se encantar por outro personagem sozinho. Simples assim. Simples como a solução para a Silvia (Débora Bloch) de Caminho das Índias. Ela perdeu o marido e a mansão mas, com aquele jeito blasé, aboletou-se rápido no apartamento do Murilo (Caco Ciocler). Ex-solteiro-convicto, ele não titubeou antes de receber a viúva do amigo, a filha adolescente dela, e a empregada "abusante". Desse jeito, já comecei as apostas sobre quem vai sobrar para a Leinha (Júlia Almeida) que, de tão dedicada ao tal documentário que está filmando, ainda não piscou pra ninguém em cena. Mas há de ter alguém para ela.

É um tipo de "movimentação interna de pessoal" das novelas, o que juntou, por exemplo, os dois traídos de Três Irmãs, Orlando (Tato Gabus) e Neuza (Malu Valle) - ela perdeu o marido para a mulher dele e, chutando pedrinhas na rua, apaixonou-se pelo ex da rival. Dois traídos que se atraem, um clássico. Solução interna, feito a que levou a pobre Tuca (Rosi Campos) aos improváveis braços do Pepe (Jean Pierre Noher) no final de A Favorita. Apagada durante toda novela, ainda mais depois que deixou de tentar controlar o insubordinado repórter Zé Bob (Carmo Dalla Vecchia), a personagem da maravilhosa Rosi riu por último e terminou beijando na boca. Muito bem!

Tudo o que sabemos sobre:
TVeLazerquanto dramanovelas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.