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Ainda faltam respostas na nova temporada de ‘The Leftovers’

Roteirista Damon Lindelof crê que a conclusão vai dar mais sentido à série, que estreia 3ª e última temporada neste domingo

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

16 Abril 2017 | 03h00

LOS ANGELES - Faz sete anos que Lost terminou, mas Damon Lindelof ainda responde a dúvidas sobre o final da série. Por exemplo, sobre a teoria de que todos estavam mortos o tempo todo – o que ele nega veementemente em entrevista com a participação do Estado, em Los Angeles, para falar de sua série mais recente, The Leftovers, que estreia sua terceira e última temporada neste domingo, 16, às 22h, na HBO, simultaneamente com os Estados Unidos. 

O roteirista parece conformado com sua sina. “Sei que as pessoas vão comparar os dois porque trabalhei em ambos”, disse. “Ao mesmo tempo, acho que são muito diferentes. Aqui era o livro do Tom (Perrotta), e eu entrei no processo. É uma visão compartilhada. Tendo dito isso, sendo otimista, se as pessoas não gostaram da maneira como Lost terminou, não há como não ser melhor desta vez.” 

O livro em questão é Os Deixados para Trás, lançado no Brasil pela Intrínseca, sobre como as pessoas de uma pequena cidade lidam com o desaparecimento repentino de 2% da população mundial. “Num sentido mais amplo é uma série religiosa e filosófica, uma das poucas no ar. É raro ver esses temas tratados de maneira séria”, afirmou Perrotta.

A verdade é que Lost ofereceu algumas lições a Lindelof, por exemplo, definir de antemão quantas temporadas vai ter. “Prefiro que a série termine do que morra”, afirmou o roteirista, que, com seu trabalho mais famoso, inaugurou a era em que as séries ganham possibilidade de conclusão em vez de simplesmente serem abandonadas. “Por isso, quando eu e Tom nos encontramos pela primeira vez, sabíamos que era uma série para três ou quatro temporadas, por falar de luto, sentimentos desagradáveis – e sei que a primeira temporada era muito deprimente, triste, para baixo. Quem quer ver essas pessoas passarem por isso temporada após temporada? Eles precisam ir em direção a algum tipo de recuperação.” 

No fim da 2.ª temporada, os dois acharam que o fim estava próximo, então decidiram terminar. Na terceira, Kevin (Justin Theroux), o policial que não perdeu ninguém, mas se afastou da mulher e dos filhos, e Nora (Carrie Coon), que ficou sem o marido e duas crianças, ainda estão lutando para manter a nova família que formaram. 

Damon Lindelof e Tom Perrotta acreditam que a conclusão vai dar mais sentido a The Leftovers, que nunca foi um estouro de audiência, nem teve o reconhecimento merecido em termos de prêmios, mas merecidamente tem seguidores fiéis. “Há muitos mistérios na vida. Não sabemos por que as pessoas se comportam de determinada maneira, o que acontece quando se morre, por que alguém que você ama o abandona por outra pessoa. O interessante era mostrar, num mundo traumatizado, como as pessoas lidavam com isso.” 

Quem é fã da série sabe que um dos mistérios não será respondido: para onde foram as pessoas desaparecidas. “Gosto da ambiguidade”, avisou Lindelof, que cresceu assistindo a filmes europeus, como os de Federico Fellini. “Eu amo Breaking Bad, Tom também, mas não há espaço para interpretação lá, em termos do que aconteceu ou o que significa. Estou mais interessado em perguntar: o que isso significa para você? Mesmo que às vezes me queime. Não vou responder a essas perguntas para o espectador. É mais desafiador, mas acho que o público quer ser desafiado.” 

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