Alline Douroiz, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2009 | 16h00

PAI DA MINISSÉRIE - Após 19 anos, Aguinaldo volta ao formato

 

Aguinaldo Silva gaba-se de ser o pai da primeira minissérie da Globo, Lampião e Maria Bonita (1982). Agora, 19 anos passados desde Riacho Doce, o autor volta ao formato com Cinquentinha. Ao Estado, ele falou por telefone de Portugal, onde tem casa, que a trama já tem promessa de virar seriado em 2010. "O problema é o horário. Se der 30 pontos (de ibope), está de bom tamanho."

 

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De onde surgiu a ideia para a minissérie?

Há uns 12 anos escrevi a peça A Vida Começa aos 50 e quando um produtor perguntou, há um ano e meio, se eu tinha uma peça inédita, reli essa. Descobri que as mulheres de quem a peça fala, na época com 50 anos, hoje estão com 60 e se comportam da mesma forma.

 

Como se tivessem 40?

Trinta e cinco (risos). São mulheres independentes, que já saíram de casamentos, namoram, trabalham, usam as roupas das filhas e das netas. Achei que essa história dava um seriado. E gosto de usar a família como núcleo da dramaturgia. Por incrível que pareça, sou um autor conservador.

 

Os homens de 60 anos estão melhor representados na TV?

Há uma tendência a se mostrar que essa faixa etária masculina ainda dá no couro. O (José) Wilker, o (Antonio) Fagundes fazem sucesso com as mulheres. E as mulheres não, são mostradas como senhoras, o que já não é o caso.

 

Faltam protagonistas maduras nas novelas?

Dificilmente você tem um protagonista maduro em novela, embora em Senhora do Destino eu tenha colocado a Susana Vieira no papel. Acontece muito de atrizes mais experientes tomarem conta da novela, e a mocinha ficar meio enjoadinha lá no canto dela.

 

Agora você criou um vilão gay, que gerou polêmica após Reynaldo Gianecchini ter recusado o papel. Por que tanto burburinho?

Ele só achou que não era a hora de passar por isso. E estou cansado de todo gay em novela ser bonzinho. Existem heteros bons e heteros maus, e gays bons e gays maus. Resolvi acabar com a ditadura do gay bonzinho, politicamente correto.

 

Por que Marília Pêra desistiu da minissérie?

Nem estou querendo mais falar sobre isso. Ela só mandou uns e-mails. Acho que é um momento pessoal dela, e a gente tem que respeitar.

 

Com a saída dela, teve de reescrever alguma cena?

Imagina se eu vou reescrever cena por causa disso! Elenco é algo que não me afeta. Isso é com o diretor. Quando o Wolf Maia falou que a Marília não queria fazer, eu disse: ‘Ah, tá! Então escolhe outra.’ E vim embora para Portugal.

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