Eduardo Naddar/TV Globo
Eduardo Naddar/TV Globo

'Agora eu tenho coleção de sutiãs'

Norminha se espalha em 'Caminho das Índias' e endossa vocação de Dira Paes para roubar a cena

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2009 | 01h03

Por incrível que pareça, aquele forró-chiclete da banda Calcinha Preta não foi criado sob medida para Norminha, a voluptuosa personagem da Lapa de Caminho das Índias. Em meio a tantos indianos, ela surge como um respiro de brasilidade e graça à trama, em um papel que só apareceu lá pelo 10º capítulo, mas que, aos poucos, ganha espaço e começa a circular por núcleos impensados (quem imaginava que cairia no colo do Tarso?).

Com 25 anos de carreira e um currículo com 28 filmes, cinco folhetins e uma protagonista de novela das 6 (Potira, do remake de Irmãos Coragem, em 1996), Dira Paes, a atriz que dá vida à falsa pudica, só ficou conhecida pelo grande público em 2004, quando viveu a burrinha Solineuza, do seriado A Diarista, e a Dona Helena, mãe de Zezé Di Camargo e Luciano no filme 2 Filhos de Francisco. E isso não a incomoda. Nesta conversa com o Estado, a paraense de 39 anos conta como criou Norminha e explica por que fez mais cinema que TV.

A Norminha corria risco de rejeição pelo público feminino. Imaginava que ela cairia no gosto do povo?

Eu tinha meus medos com relação à personagem: de que o público achasse que eu estava na aba da comicidade da Solineuza, por a Norminha mostrar seus defeitos, ser meio machista... Mas me surpreendi com a aceitação imediata. E bem que a Glória Perez disse : ?Esse personagem é um gol!?.

Já brincam com você na rua?

O público virou cúmplice da Norminha. E às vezes, eu passo na rua e sinto que as pessoas querem cantar: ?Você não vale nada, mas eu gosto de você...? (risos)

Essa música parece que foi feita sob medida...

É como se o Abel (Anderson Muller) estivesse cantando isso pra ela, né?

E o que foi criação sua na composição dela?

O jeito de mexer no cabelo, a rodadinha no chaveiro, o balanço no andar... e o sutiã, eu intuitivamente deixei aparecer, e o (diretor) Marcos Schechtman pediu para valorizar.

Então não é impressão que o decote dela está aumentando?

Ah! Mas agora eu tenho coleção de sutiãs (risos). Ela não é um personagem naturalista. Ela se veste diferente, só anda maquiada e com penteado. Quando gravamos na casa dela, está de bobe, para mostrar que se arruma. Digo que ela é uma mulher à moda antiga.

É a falta de química entre ela e o Indra que fará a personagem se envolver com outros homens?

Imagina! Acho que tem química, sim! O Indra é o único que sabe quem ela é de fato e está apaixonado. É como aquele filme A Primeira Noite de um Homem. Poderá acontecer a primeira noite do Indra.

Já conheceu muitas Norminhas?

Sabe que algumas Norminhas têm se apresentado para mim? Dizem: ?Eu sou tão Norminha...? (risos). Essa sensualidade dela é típica da brasileira, só que ela juntou isso com uma inquietação, que faz com Norminha transborde.

Mas e o coitado do Abel?

Mas ela também é uma ótima esposa. A casa dela é arrumada, a comida dele é sempre gostosinha, ela cuida dele, dá carinho. Ama esse homem e morre de ciúme dele. É um personagem "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço".

O público já dissociou sua imagem da Solineuza?

Sim. A Norminha matou um pouco a saudade da Solineuza.

Sente saudade da "Poia"?

Eu mato a saudade vendo DVD, os vídeos no YouTube...

Tinha medo de ficar marcada como a Solineuza?

Tinha, de fazer essa personagem por muito tempo. Quero trabalhar com novas pessoas, ter novas experiências...

Quando A Diarista acabou, a Cláudia Rodrigues declarou que o programa tinha perdido o foco e virado um "Turma da Marinete". Rolou um ciúme?

Pelo fato de a Marinete e Solineuza serem as melhores amigas na ficção, exigiam isso de mim e dela fora do programa. Tínhamos uma convivência artística maravilhosa. Só não éramos melhores amigas.

Não houve uma briga?

Nunca briguei com a Cláudia, para a infelicidade daqueles que torciam para isso.

No seu currículo estão 28 filmes e esta é sua 5ª novela. Por que não fez mais TV?

Sempre tive muitas propostas do cinema e não era todo personagem que me seduzia a ponto de eu deixar de fazer cinema para fazer TV. Com a Solineuza, pude mostrar meu lado cômico e estar no cinema com 2 Filhos de Francisco (um drama). Foi o momento em que o grande público pode me ver como atriz.

Ter começado na TV como protagonista de novela que não foi bem em ibope (remake de Irmãos Coragem) a prejudicou para conseguir papéis de destaque na TV?

Entre Irmãos Coragem (1996) e A Diarista (2004) foi quando eu mais filmei. E foi bom eu ter alguns anos de carreira e ser vista quase como uma estreante na Solineuza.

Bom?

Sim. Isso trouxe um vigor, um frescor.... Essa é a minha primeira novela das 9 e eu me sinto uma jovem atriz. Mas são 25 anos de carreira.

Você queria ser engenheira civil. Como virou atriz?

No colégio, encenava trechos de obras literárias, quando um professor me avisou do teste para uma superprodução da Embassy Pictures, no Pará. E com 15 anos, entre centenas de atrizes, fui a escolhida. Percebi que tinha uma porta aberta. Em 1985, terminei o colégio e fui para o Rio, na Escola de Artes Laranjeira.

E como foi, aos 15 anos, aparecer nua em uma produção internacional?

Foi fruto de uma segurança familiar. Minha mãe esteve do lado durante todo o processo. E eu era tratada como uma estrela, tinha meu trailer, por ser menor de idade, era alimentada de 4 em 4 horas, fiquei hospedada no Copacabana Palace... Tive um início de Cinderela.

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