AP
AP

‘Adeus gambás’, diz dame Edna Everage

Por mais de 50 anos, ela marcou a TV e os palcos com seu humor ácido e agora faz turnê de despedida no Reino Unido

Pedro Caiado/ Londres, Especial para O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2014 | 13h57

“É um momento especial para mim. Não me apresento no West End de Londres há mais de 15 anos, gambás.” A clássica e irreverente saudação e as palavras emocionadas são de Dame Edna Everage, estrela da TV e dos palcos em todo mundo, um personagem criado e realizado pelo comediante australiano Barry Humphries. Como Dame Edna, o humorista escreveu vários livros, apareceu em filmes e apresentou diversos programas de televisão.

“Este espetáculo de despedida é ótima oportunidade de reciclar o material antigo”, disse a famosa dona de casa australiana, em Londres. Aos 79 anos, ela vai se aposentar e este será seu último show, afirmou, ostentando seu clássico cabelo cor de rosa e seus extravagantes óculos brilhantes.

“Amo o teatro, mas estou madura agora”, ressaltou ela em apresentação de sua turnê de despedida na capital britânica. “Digo adeus no momento. Não fiquem tristes, mas eu não posso continuar acordando em quartos de hotéis em lugares estranhos no meio da noite”, explicou. “Houve épocas em que tive algumas decepções, principalmente porque eu era uma mulher à frente do meu tempo”, explicou ela, que usava joias, vestido amarelo e preto e segurava uma pequena bolsa preta. “Mas este não é o meu fim. Minha adrenalina continua mais forte do que nunca. Fiz muita pesquisa de mercado e vi o amor que as pessoas ainda têm por mim. Se outra artista fizesse uma apresentação como essa, você acha que alguém viria? Penso na Cilla Back (cantora britânica). Quem apareceria para assistir àquilo? Eu não quero ser desagradável. Na verdade, fiquei até maravilhada em saber que ela ainda está viva”, alfineta Edna, com seu humor ácido.

Na coletiva da qual o Estado participou, Edna, originalmente uma dona de casa de Melbourne, Austrália, continua incrivelmente jovial. “Eu era um pouco atraente demais na minha juventude, mas nunca de maneira convencional. Então, fui ver um doutor no Brasil para tentar me envelhecer um pouco”, contou, sem detalhar mais sobre sua visita ao Brasil. “Nunca pensei que este momento chegasse. Eu vou sentir falta de poder me expressar tão honestamente e diretamente com as pessoas.”

Em seu show Eat, Pray and Laugh (Comer, Beber e Rir), Edna brinca com a plateia fazendo suas vítimas nas primeiras fileiras. “Não quero ver ninguém malvestido na minha audiência. Se eu vir, vou fazer daquela pessoa um mau exemplo. E quando digo isso, falo de verdade”, ameaçou. “Para mim, não se trata de um show. É uma conversa entre duas pessoas; uma muito mais interessante que a outra”, afirmou, confessando que se considera estritamente não profissional.

Quando indagada sobre o que gostaria que seu público levasse do seu último show, afirmou seriamente. “O livro de souvenir, que é bem caro.” E ela promete que sempre manterá contato com seus fãs. “Eu não me importo que eles me toquem, contanto que mantenham distância das minhas zonas erógenas”, alertou. “Esse show é sobre a minha jornada e eu gosto de envolver as pessoas. Subo no palco para ver vocês. Estou lá como a sua única audiência feminina e tudo o que mostro já foi testado na minha terra natal, Austrália”, fez questão de dizer.

Dame Edna adiantou o que pretende fazer quando se aposentar. Entre outros afazeres, ela será babá do novo filho do príncipe William e Kate Middleton e informou estar ajudando Kate e suas estrias. “Criei um creme que contém emolientes e um ingrediente australiano – geleia de marsupial. Você já viu um deles com estria? Exatamente”, concluiu.

A despedida. O show de despedida de Dame Edna viaja por todo o Reino Unido em 2014. Com duas horas, Comer, Beber e Rir é fraco. Na primeira hora, os personagens menos conhecidos de Barry Humphries, como o australiano Les Patterson, de piadas rudes, ocupam a maior parte do tempo. A segunda parte traz Dame Edna, que chega em um elefante e passa a maior parte do tempo conversando e fazendo graça da plateia. Infelizmente, os cenários são pobres, há poucas trocas de figurinos e quatro dançarinos que pouco dançam. Para uma despedida, esperava-se mais. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.