Acreditar na foto nunca foi tão importante

Nova edição do Brazil?s Next Top Model promete provas mais rígidas e sofisticadas

O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 23h51

Uma garota evangélica, uma ateia, uma patricinha e outra que mora na Cidade de Deus precisam conviver com uma menina lésbica e outra bipolar. Em comum, elas só têm duas coisas: todas possuem mais de 1,70m e são magrinhas. "A casa está diversificada", fala Pazetto, o preparador das aspirantes a modelo, sobre a terceira temporada do Brazil?s Next Top Model, que tem estreia prevista para o dia 10 de setembro, no canal Sony. Brigas? "Somente as divergências naturais por causa dessa diversidade", conta Pazetto.

No pacote das diferenças, entra até conceito de beleza e noção do mercado fashion. Há de se esperar que, em um reality show de moda, as candidatas tenham Gisele Bündchen como aspiração máxima. Mas, que nada. No elenco há quem prefira a Beyoncé. "A Gisele por acaso canta?", perguntou uma das candidatas durante as gravações.

Pazetto tem a explicação para esse fenômeno. Para ele, tudo é culpa dos amigos gays que inscrevem as beldades no programa, mesmo que elas não acreditem no próprio potencial. "Todas têm um amigo gay para dizer que elas são lindas e que elas precisam entrar no programa", brinca ele. Neste ano, há meninas que nunca subiram em um salto alto - "mas se eu posso, elas também podem", repete o preparador de passarela Namie Wihby. Muitas delas nunca ouviram falar na jornalista Erika Palomino, no maquiador Duda Molinos e no estilista Dudu Bertholini, os fashionistas e jurados da atração.

Pazetto lembra que uma das candidatas viu a apresentadora e top model Fernanda Motta e perguntou: "Quem é essa?" Em compensação, há aquelas "preparadíssimas" - como diz Pazetto - que, ao avistar a top, até choram.

Não é só o casting que está mais divergente. Os jurados também estão sendo estimulados a expressarem opiniões sem se preocuparem em eliminar candidatas por consenso. "Já voltei triste para casa; no outro dia foi o Dudu", fala Erika. "Estamos decidindo eliminações por voto vencido." A jornalista conta que as sessões de fotos estão mais sofisticadas e as provas, mais rígidas. Mas, para ela, o bacana mesmo é preparar psicologicamente essas meninas para o mercado de moda, "que não é nada doce." O principal é elas acreditarem nelas mesmas e se desenvolverem como mulheres. Malana, a terceira colocada da última edição, diz que saiu do reality se achando mais bonita. "Fui me descobrindo na atração, pois não tinha todo esse amor pelo meu visual", fala a menina de 21 anos, negra e de cabeça raspada. Nada convencional, mas um luxo!

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