A voz que sobrevive ao amor e à tragédia

Em Piaf - Um Hino ao Amor, Marion Cotillard está brilhante como a cantora amada na França

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2008 | 22h16

Interpretar a cantora Edith Piaf representou um desafio tão grande para a atriz Marion Cotillard que, ao receber o Oscar por sua atuação em Piaf - Um Hino ao Amor, ela confessou ter incorporado totalmente o personagem. "Fiquei perdida durante um tempo, depois que terminaram as filmagens", contou Marion. "Para interpretá-la com dignidade, tive de descobrir seus sentimentos, sua alma, e perceber quais das minhas qualidades se adaptavam de fato ao papel." E é justamente essa entrega que faz de Piaf - Um Hino ao Amor, lançado agora pela Europa, um programa arrepiante. Dirigido por Olivier Dahan, o filme peca pelo excesso de melodrama - um punhado de cenas elaboradas com o único propósito de fazer o público chorar (a menina cega, os maus tratos da família, a decadência física). Por conta disso, o filme seria no máximo mediano. Mas a força de Marion se impõe de forma impressionante: o corpo curvado, a voz rascante, o olhar curioso transformam Piaf em um personagem complexo e adorável. E, se há uma cena genial no filme, é aquela em que a cantora descobre que o namorado morreu em um acidente e, mesmo assim, vai para o palco cantar. Arrepiante.

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