A volta da Nazaré e a ida de Negócio da China

Se você sabe o que vai acontecer nos próximos capítulos de qualquer novela que está no ar, por favor, não me conte. Noveleiro profissional sabe que nada melhor do que descobrir ali, no sofá, que a mocinha vai largar o mocinho na igreja; que a vilã vai sabotar os freios de alguém; que a ex-dona de casa vai para Buenos Aires com a amiga lésbica. É por isso que tento me fazer de egípcia quando passo em frente às bancas, onde os colegas estiveram cravando nos últimos dias: "Opash é filho de Shankar!"

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2009 | 22h19

Aquele "não! jura?" é bem divertido. E é justamente por isso que a gente fica de queixo caído quando vê Senhora do Destino, reapresentada à tarde no Vale a Pena Ver de Novo batendo a novela das seis, Negócio da China, em audiência.

Sucesso quando foi exibida, em 2004, Senhora do Destino é deliciosa. É histórica, porque tem a Nazaré Tedesco, uma das duas personagens inesquecíveis de Renata Sorrah (a outra é a Heleninha Roitman de Vale Tudo). Vai ser bom esperar para ver a vilã empurrando boa parte dos personagens da novela por aquela escada medonha. E quando ela ficava na frente do espelho, se achando o máximo, feito a madrasta da Branca de Neve? E ela de peruca morena?

Mas não vamos cair naquela coisa de "roubou a cena". A novela tem também o mordomo Alfred (Ítalo Rossi) e a picareta da Djenani (Elizângela). Tem o José Wilker como o bicheiro benfeitor Giovanni Improtta. A Maria do Carmo, e o sotaque da Susana Vieira, que foi se acentuando conforme a trama andava. As cenas dos primeiros capítulos, em que a protagonista vai do Nordeste para o Rio e tem seu bebê sequestrado durante um protesto contra a ditadura militar é exemplo de texto, produção e direção.

O telespectador já sabe tudo o que vai acontecer em Senhora do Destino e, mais uma vez, vai vê-la. Negócio da China não é da mesma sorte, e é capaz que não volte no Vale a Pena. Toda moderninha, a novela não contava a história de uma filha que se perdeu, mas a de um pen drive que viajou da China para o Brasil. Tinha bons atores, bons personagens (como o Edmar de Ney Latorraca) e boas ideias, mas não funcionou - e terminou fria na sexta-feira. No lugar dela, amanhã, entra Paraíso, curiosamente, um remake de 1982 que vem cercado de boa expectativa. Se ela for bem em ibope, só poderá haver aí um recado do público.

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