A última parada

Elenco de Lost comenta a despedida da série, cuja derradeira temporada estreia dia 2 nos EUA

Gustavo Miller - O Estado de S. Paulo,

23 de janeiro de 2010 | 16h00

Quando até o presidente dos EUA, Barack Obama, cancela um comunicado oficial televisivo para não atrapalhar a estreia da 6ª e última temporada de Lost, olha, é aí que dá para sentir a ansiedade em torno do retorno da série. A pressa é tanta que a AXN terá apenas uma semana de atraso em relação a exibição americana (lá começa em 2 de fevereiro, enquanto aqui, às 21 h do dia 9). O programa terá 16 episódios durante 16 semanas interruptas, tendo o primeiro e o último episódio duas horas de duração.

 

Era difícil acreditar que a produção de 2004, que teoricamente falava apenas sobre a vida de sobreviventes de um desastre aéreo no meio do Pacífico, tornaria-se fenômeno global. Lost virou ficção científica das boas, com ousadas formas de narrativa e de pioneira plataforma multimídia.

 

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Mas o que acontecerá nos próximos 16 episódios? Dá para adiantar que o último ano de Lost amarrará vários dos nós largados, principalmente, na 1ª temporada. Sim, muitos dos mistérios serão explicados. Mas nem todos. Os produtores - e cabeças - da atração, Carlton Cuse e Damon Lindelof, prometem no season finale um "saudável coquetel de respostas, boas resoluções sobre os personagens e, claro, alguns mistérios finais".

 

Para fechar o círculo, vários personagens do passado estão de volta (confira, caso deseje, uma lista de spoilers dentro do símbolo da Dharma abaixo). "É uma preciosidade visitar lugares que não gravávamos desde a temporada 3", comenta Jorge Garcia, o Hurley, durante coletiva em Los Angeles da qual o Estado participou. "Eu vou chorar como um bebê no final. Parece o último ano da escola, em que tudo soa meio estranho na classe", completa Evangeline Lilly, a Kate.

 

Além dos roteiristas, apenas Matthew Fox (Jack) sabe como será a cena final de Lost, já que aparecerá nela. Curiosamente, ele não estava na coletiva. O elenco recebe os scripts dois dias antes das gravações e tem de picotá-los depois, para evitar que alguém fuce o lixo e vaze alguma informação. "Só soube que o Locke que eu fiz na 5ª temporada estava morto quando vi o episódio. Não sabia que eu era outra pessoa", admite Terry O’Quinn.

 

Ele revela como foi construir seu personagem no ano passado: dado como morto, ele "revive" após voltar à ilha. Mas, no último episódio, é revelado que o espírito de um misterioso homem de preto encarnou em seu corpo. Se você não assistiu, desencana, não vai entender. "No começo da 5ª temporada, eu disse para o diretor Jack Bender: ‘Vou apenas assumir que sou Locke e sou indestrutível.’ Isso foi fácil de fazer. Talvez eles estivessem só me aquecendo", brinca.

 

"Trabalhar em Lost acabou com qualquer ideia que tinha sobre preparação de atores. Mas é até melhor estar no escuro, pegar as descobertas ao poucos e não se queimar com tantos segredos", diz Michael Emerson, ganhador do último Emmy por seu Ben Linus.

 

"Como ator, o melhor desse show é que você é sempre desafiado a criar um novo personagem mesmo estando com o mesmo", concorda Evangeline. "Pois é. Você não sabe, mas eu é quem ando interpretando a Kate", brinca Daniel Dae Kim, o Jin, ainda sobre o twist final de Locke no ano passado.

 

Uma das novidades do 6º ano será, mais uma vez, a narrativa. Após os flashbacks e flashforwards, haverá duas realidades. Uma mostrará Sun e Richard no tempo em que o "falso Locke" pede para Ben matar Jacob. A outra, alternativa, mostrará as consequências da bomba que Juliet explode em 1977 - o que, na teoria, mudará o futuro. Ou seja, o avião da Oceanic não cai. "É fascinante que a narrativa seja mudada de novo. Mais uma vez Lost muda a maneira de fazer TV", elogia Kim.

 

Segundo os atores, as gravações no Havaí estão sendo realizadas em clima de nostalgia. "Meus momentos prediletos estão sendo agora: ver o elenco original trabalhando junto e se divertindo como nos velhos tempos", recorda Emilie de Ravin, a Claire (sim, ela voltou). "Vou me lembrar dos momentos ofegantes em salas pequenas", ri Emerson, dando munição para Garcia. "Correr do avião explodindo nunca sairá da minha cabeça. E quando o cometa atinge o Mr. Cluck’s: estava deitado e jogavam pedaços de frango em mim!"

 

Sobre o que será da vida de cada um após o fim da série, as opiniões são distintas. Josh Holloway, o Sawyer (leia entrevista aqui), diz que continuará com sua casa no Havaí. Para O’Quinn, meio mal-humorado, eles estarão desempregados. Já Evangeline só pensa em dormir. "As pessoas não têm ideia da intensidade das gravações. É exaustivo e a gente acabava, de fato, preso numa ilha. Acho que quando o show acabar, nós vamos hibernar um pouco."

 

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