A ressaca de Bebel

A atriz fala de novela, gravidez e da sua personagem em ?Noel?, em cartaz nos cinemas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2007 | 23h07

Onde andará Camila Pitanga? Curtindo a ressaca do sucesso da Bebel de Paraíso Tropical? Camila está feliz da vida, na nona semana de gravidez. Ela ainda não sabe se o bebê que nascerá em maio/junho do ano que vem é menino ou menina, mas a fase inicial de ansiedade já passou e agora Camila diz que está se sentindo plena como nunca na vida. Ela passou boa parte de quarta-feira e, depois, de quinta, sendo fotografada para um campanha no Rio. Esse trabalho vai marcar uma espécie de despedida temporária da atriz que encantou o Brasil inteiro na novela de Gilberto Braga. "Vou parar e ficar quietinha no meu canto, para curtir a gravidez. Depois, virá a parada da licença-maternidade. Acho que vai ser bom para mim. Preciso refletir um pouco sobre o significado de tudo o que ocorreu comigo recentemente. Ainda não tenho distanciamento para falar da Bebel, mas com certeza ela foi um marco na minha carreira. A parada também me parece positiva porque tive muita exposição na mídia, nos últimos tempos. Depois, eu volto com força total", garante.Mesmo distante da TV, você não vai ter tempo de ter saudade de Camila. Na sexta-feira, estreou em salas de todo o Brasil o longa Noel Rosa - Poeta da Vila, de Ricardo Van Steen, no qual Camila interpreta Cecí, a Dama da Noite, grande paixão do compositor. Noel é interpretado por Rafael Raposo, ator que faz um trabalho brilhante, mas que ele não conseguiu lograr sem esforço físico e até desconforto, por conta da prótese que usou para falar (e cantar), de forma a reproduzir a deformidade bucal do compositor. Embora também seja uma personagem da noite, uma dançarina de cabaré, Cecí não tem nada a ver com Bebel."Eu até gostaria de dizer que a Cecí, que fiz antes, foi um laboratório para a Bebel, mas não seria verdade. A Bebel era prostituta e stripper e, como tal, também sofria discriminação, mas a experiência das duas é muito diversa. Cecí é uma barra mais pesada." Na novela, Bebel viveu um processo de glamourização. No filme, Cecí sofre outro, completamente oposto, de degradação. "O filme trata da sua decadência, acentuada pela doença." Foi difícil da fazer? "Todo papel encerra sempre um desafio e eu acho que, se não fosse assim, não teria graça. Tive aulas de dança de salão e até de sinuca, embora não jogue nenhuma partida. Minha frustração é que a Cecí, mesmo ligada a um grande compositor como Noel, não canta. Adoraria cantar."Por sua idade, Camila não assistiu aos grandes musicais de Chico Buarque e Ruy Guerra, obras que fazem parte do teatro brasileiro, como Calabar e A Ópera do Malandro. "Se eles voltassem ao musical, pode apostar que eu estaria na primeira fila para os testes", ela diz. A rodagem de Noel Rosa foi árdua. "Coincidiu com o filme que fazia no Rio Grande do Sul e com minha conclusão de curso (teoria do teatro). Ia para o set com laptop e aproveitava os intervalos de filmagem para fazer meus trabalhos de faculdade. Afinal, eram oito matérias." Assim como curtiu Paraíso Tropical, Camila adorou fazer Noel Rosa. "É um trabalho muito bonito, muito delicado. Ricardo (o diretor Van Steen) fez um filme elegante sobre a decadência de gente da noite. Amo a década de 30. É um período que me interessa muito. E Noel ainda retrata a atração de um jovem da classe média pelo morro. Esse olhar para o mundo popular é muito bacana. Acharia ótimo se o público curtisse a Cecí, como curtiu a Bebel. São dois momentos iluminados para mim, como atriz."

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