A política surrealista na obra de Kusturica

Um dos mais premiados filmes do diretor croata, 'Underground' é lançado finalmente no mercado

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2008 | 21h48

Nascido em Sarajevo, o diretor Emir Kusturica convive há 54 anos com o clima de guerra nos Bálcãs. Inconformado, faz filmes para entender a fragmentação da Iugoslávia. Underground (1995), lançado pela Lume Filmes, cobre meio século da história do país, da invasão nazista, em 1941, à guerra civil de 1992. Comédia de humor negro sobre as transformações políticas da Iugoslávia, Underground usa o porão como metáfora exemplar - e séria - para definir a situação do povo iugoslavo, que sofreu sob o tacão totalitário do regime de Tito e, depois, por vizinhos, que venderam armas para alimentar a guerra da Bósnia.O embrião dessa guerra fratricida é a própria história da Iugoslávia, que nasceu da decomposição de impérios e cresceu com a identidade arruinada. No filme, Marko e Blacky são as duas faces dessa nação esquizofrênica divida entre Abel e Caim. A dupla fornece armas para a Resistência contra os nazistas até que um deles, Marko, assume o papel de Caim, rouba a mulher do amigo e o mantém preso num porão, iludindo-o com a mentira de que a guerra não acabou. A guerra rendeu outro filme de Kusturica, também disponível em DVD, A Vida É um Milagre (Imovision). O diretor croata tem ainda lançado no mercado o surrealista Um Sonho Americano (Universal).

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