A moto, a navalha, o rebelde e os peixes

O Selvagem da Motocicleta, 94 min., preto-e-branco e cor. Telecine Cult, 22 horas

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 20h29

Nos anos 1980, James Dean era só uma fotografia puída, Brando estava gordo e era mais visto em tribunais do que em filmes. A geração nova procurava desesperadamente o "seu" filme de rebeldia. Em 1983, Francis Ford Coppola resolveu a parada com Rumble Fish, que ganhou aqui o título de O Selvagem da Motocicleta (Telecine Cult), baseado em romance de S.E.Hinton. Na história, dois irmãos, o experiente e cool Garoto da Motocicleta (Mickey Rourke, em tributo a Brando em O Selvagem) e seu irmão caçula, o impetuoso líder de gangue Rusty James (Matt Dillon) vivem um drama paralelo. James quer se pôr à prova numa briga de rua. O irmão, que aparece como confiante e enigmático, na verdade procura a chave da existência. No meio de tudo, há os dois peixes de briga do título, única forma colorida do filme, que não podem ser misturados no mesmo aquário senão se matam. São metáforas simplistas e arquétipos manjados, mas foi o filme para rebeldes de uma geração hesitante - e que tinha contra si a emergência de uma categoria de cínicos, os yuppies. Coppola botou as navalhas de novo na rua, o que não é pouco.

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