A luta do homem contra a opressão

Nacional - Em O Homem que Virou Suco, João Batista de Andrade trata de fracasso e impotência

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2009 | 00h41

A eleição de melhor filme no Festival de Moscou de 1980 trouxe o reconhecimento necessário para O Homem que Virou Suco (Original Vídeo), longa de João Batista de Andrade que também consagrou o ator José Dumont. Ele vive Deraldo, poeta popular nordestino recém-chegado a São Palo, onde sobrevive de suas poesias e folhetos, até ser confundido com o operário de uma multinacional que mata o patrão. Com isso, abandona a arte e é obrigado a trabalhar, sujeitando-se a todos os subempregos reservados a migrantes pobres, como serviços domésticos e construção civil. Ele consegue enfrentar as dificuldades com humor até que, cansado, decide encontrar o verdadeiro assassino para contar sua história. Deraldo surgiu em uma época (final dos anos 1970) em que o Brasil se aproximava da distensão do governo militar, ou seja, havia uma indignação na sociedade, uma mobilização popular que tornava viável a força daquele personagem. Em sua busca, Deraldo passa a conhecer o outro lado da opressão, tornando o filme de João Batista uma bela visão crítica sobre o esmagamento do homem na sociedade industrial. Destaque para a maravilhosa interpretação de José Dumont.

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