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A infância de Sheldon Cooper de 'The Big Bang Theory'

Série de comédia da CBS, 'Young Sheldon' traz Iain Armitage vivendo o genial físico apaixonado pela cultura geek ainda garoto

Margaret Lyons / NYT, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2017 | 06h00

A grande comédia inovadora da temporada na CBS é Young Sheldon. É sobre uma criança alienada com graves limitações sociais e pais ou incapazes ou nem um pouco interessados em compreendê-la, ou ajudá-lo a navegar pelo cruel mundo que é o Texas em 1989.

O garoto é a versão “Muppet Babies” do personagem de Jim Parsons, Sheldon Cooper, em The Big Bang Theory, um físico genial apaixonado por histórias em quadrinhos e cultura geek em geral, com limitada empatia pelas outras pessoas e um rígido conjunto de rotinas.

Em Young Sheldon, que estreou na segunda-feira, dia 25 de setembro, antes do lançamento para valer no dia 2 de novembro, ele é um menino gênio de 9 anos de idade (Ian Armitage, de Big Little Lies), que frequenta o ensino médio em uma escola pública, graças à sua incomum capacidade acadêmica.

Armitage recria perfeitamente a animada despreocupação de Parsons, mas tal qualidade em uma criança é triste de certa forma. No seu primeiro dia, ele alegremente insulta colegas de classe e professores ao não aceitar o manual dos alunos, conquistando a ira de todos em volta dele, algo que ele nem percebe.

Porém sua mãe, Mary (Zoe Perry), nota. Perry dá o desempenho mais dedicado ao programa, em uma versão mais jovem do papel que sua própria mãe, Laurie Metcalf, tem em Big Bang e sua voz e maneirismos são tão parecidos com os de Metcalf que são impressionantes, embora não indesejados. Mary ama e se preocupa com seu filho – menos que seus outros dois, que recebem menos atenção – enquanto seu marido, amante de futebol (Lance Barber) precisaria de mais dedicação.

Parsons constrói a narrativa do seriado, colocando o Young Sheldon em dívida maior com Anos Incríveis (The Wonder Years) do que com Big Bang, e também lembrando outras comédias de época, com famílias peculiares filmadas com uma única câmera, como Fresh Off the Boat da ABC e The Goldbergs.

Ao contrário de tais programas, porém, Young Sheldon não é engraçado. (Pelo menos no único episódio visto pelos críticos). Suas falas principais – ou o que quer que esteja no lugar onde deveriam estar essas falas – vêm apenas das respostas inadequadas de Sheldon. Ele pergunta à mãe, em tom de voz elevado, na igreja, para quando deveria “esperar seus testículos”. Diz ainda a uma professora que ela tem “um bigode e tanto”.

Uma criança dizendo a palavra “sutiã” é a mesma coisa que uma piada? Não. Literalidade e falta de interesse em normas sociais não são o suficiente para sustentar uma série. Isso é algo em que a própria The Big Bang Theory acabou criando coragem de investir, acrescentando personagens como Amy (Mayim Bialik) e Bernadette (Melissa Rauch) para criar uma variação mais agradável de perspectivas e permitir momentos de camaradagem, não apenas para frustração mútua.

Essas frases não trazem clareza ao personagem – temos sua voz em off para isso, e também elas falam da exata mesma forma que seu personagem, repetidamente. O desafio que o programa enfrenta é que Sheldon é conhecido pela sua inflexibilidade, mas o próprio programa precisa de uma pequena mudança. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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