A filósofa agora vai à praia

Prestes a concluir a faculdade de Filosofia, Cláudia Abreu volta às novelas na segunda, 15

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2008 | 21h38

Seu último papel em novela foi como a ex-menina de rua hostilizada pela avó do marido rico, a autoritária empresária Bia Falcão (Fernanda Montenegro) de Belíssima, de Silvio de Abreu, no horário dos 9. Um papel dramático, pesado. No intervalo, Cláudia Abreu fez teatro, cinema e é agora mais bela, leve e solta que volta às novelas, na faixa das 7, com Três Irmãs. "É um texto de Antônio Calmon", ela observa - e na observação já vai subentendido que tem menino do Rio, garota dourada etc. "Calmon escreve essas novelas leves que retratam o universo da gente jovem, mas eu acho que existem sempre boas observações humanas nos textos dele." Veja também:Drama de Calmon à moda 'Top Model'Cláudia está adorando a mudança. "Como atriz, o que me atrai é justamente a possibilidade de não me repetir, fazendo coisas diferentes a cada papel." Agora mesmo, ela está nos cinemas como protagonista - com Rodrigo Santoro e Ângelo Paes Leme - do triângulo amoroso de Os Desafinados. O longa de Walter Lima Jr. não é "sobre" a gênese da Bossa Nova, mas ela ocupa uma parte destacada da trama. Um grupo de amigos músicos vai a Nova York para assistir ao histórico show no Carnegie Hall. Eles perdem a chance de entrar - não existem mais ingressos à venda -, mas terminam compartilhando o apartamento dessa brasileirinha que vive em Manhattan. "Adorei fazer a personagem, essa mulher firme e forte, com atitude, que vive sozinha e se afirma a cada dia, como fazem as novaiorquinas", define Cláudia.Não a incomodou nem um pouco saber que o diretor tinha começado os ensaios do elenco masculino com outra atriz. Ela era francesa e não deu certo no papel. Walter Lima Jr. chamou Cláudia e lhe disse que já havia pensado nela antes da francesa. "Acreditei e, na verdade, não me senti nem um pouco como quebra-galho. Walter é muito doce, uma pessoa carinhosa, que sabe criar um clima gostoso para se trabalhar."A camaradagem era tão grande que Cláudia também não se sentiu nem um pouco constrangida na cena que poderia ser seu maior desafio. Para provar sua independência e deixar claro que nenhum dos dois homens com quem foi para a cama manda nela, a personagem toma banho nua no meio da sala. Um provocativo banho de espuma. "Havia o maior respeito no set", conta o bom-moço Rodrigo Santoro. "Apesar do espíritro da cena, eu me sentia em casa, em família", conta Cláudia, mãe de duas filhas e que apresenta, em breve nu frontal, um corpaço de tirar o fôlego.Ela própria admite que o papel de Os Desafinados é a verdadeira "primeira" mulher que cria no cinema. Adeus às garotas, aos anos rebeldes. Cláudia amadureceu, como mulher e atriz. O casamento com o diretor José Henrique Fonseca, de O Homem do Século, contribuiu para isso, claro. E é agora essa nova Cláudia, mais sensual, segura de si, que encara integrar o trio de heroínas da novela de Antônio Calmon. Casualidade ou não, um dos últimos papéis de Cláudia no teatro foi numa peça famosa de um russo, um certo Chekhov, chamada... As Três Irmãs.ALGUMAS RECUSAS DEPOISEla volta agora, de novo, como uma de três irmãs - as outras duas são interpretadas por Giovanna Antonelli e Carolina Dieckmann. Bye-bye o clima nostálgico e amargurado de Chekhov, a visão da pequena burguesia pré-revolucionária, na Rússia do czarismo. O negócio agora é céu, é sal, é sul, é Rio de Janeiro.Nos últimos anos, Cláudia, ou Cacau, como é chamada pelos amigos - por sua paixão por chocolate -, recusou muitos papéis. Por Glória Perez, ela teria sido a imigrante Sol de América, mas Cláudia queria curtir a primeira maternidade e recusou. Gilberto Braga também a queria nos papéis das gêmeas de Paraíso Tropical, mas aí Cláudia estava grávida - de novo - e Alessandra Negrini entrou em cena. Agora, vai. As primeiras cenas gravadas - e divulgadas na imprensa - prometem. Cláudia é salva de afogamento por Marcos Palmeira (cena gravada na praia de Grumari), Cláudia passeia com Palmeira (na praia da Macumba) e os dois terminam a cena beijando-se ao luar.A personagem de Cláudia chama-se Dora e é viúva, mas não a clássica viúva sofredora dos folhetins. Irmã de Alma (Giovanna Antonelli) e Suzana (Carolina Dieckmann), Dora tem aqui outra carrasca para substituir a Bia Falcão que perseguia Cláudia em Belíssima. A vilã da trama é sua sogra, Violeta Áquila (Vera Holtz), que acusa a nora de ter sido responsável pela morte de seu filho num acidente. Apesar disso, Dora é uma perua divertida e cheia de vontade de viver."Estou gostando muito da personagem, mesmo sendo diferente dela em muitas coisas." A própria Cláudia está longe de ser uma perua, mas ela também não precisava exagerar tanto - além de mãe e atriz, precisa de tempo para preparar a próxima volta ao teatro (numa peça escrita por seu sogro, Rubem Fonseca) e também para concluir a Tese de Conclusão de Curso. Cláudia - pasmem! - está se formando em Filosofia, com uma tese sobre o nascimento da tragédia em Nietzsche. Está para nascer a perua capaz de discutir, entre plumas e paetês, os dias do filósofo em Turim.

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