A fábrica de sonhos chora por si mesma

Crepúsculo dos Deuses. Telecine Cult, às 22 horas. Reprise, P&B, 110 minutos

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2008 | 00h41

Poucos filmes parecem tão duráveis quanto Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, de 1950. Essa é uma definição do clássico - a obra que dura, atravessa seu tempo e se propõe, sempre renovada, para as gerações seguintes. Pessoas que, a não ser que sejam estudiosas do assunto, sequer ouviram falar em cinema mudo. E assim, em tese, não poderiam apreciar o drama de uma atriz envelhecida, que um dia foi uma grande dama e, com a chegada da idade e do cinema sonoro, já não encontra mais papéis no cinema. No entanto, a história de Norma Desmond (Gloria Swanson) faz sentido para qualquer um que entenda que o tempo e mudanças do mundo podem torná-lo obsoleto da noite para o dia. Há também o interesse da linguagem, que é a do narrador morto (William Holden), técnica usada por Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Esse "defunto autor" do cinema conta como ele, roteirista sem emprego, aproximou-se de Norma e passou a viver em seu mundo. Até que...bem, é o que você descobrirá vendo o filme, se não o conhece. Filme que é, também, uma crítica de Hollywood a si mesmo. A máquina que fábrica e devora seus ídolos.

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