A essência da sitcom americana

Nona temporada de 'Seinfeld' carrega na ironia e no cinismo para retratar nossa época

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 21h04

Já se usou de tudo um pouco para explicar o sucesso de Seinfeld. Por que afinal uma série sobre o nada conquistou tantos fãs, a ponto de ser considerada por muitos a melhor comédia de situações de todos os tempos? Assista aos episódios da nona temporada - a última e talvez a melhor delas -, lançada agora no Brasil, e chegue à sua resposta. Enquanto isso, eu arrisco a minha.   De um lado, o que vemos em Seinfeld é o retrato da época do desencanto, da falta de envolvimento, do auge da razão cínica, enfim, da nossa época. Esses personagens não se abalam com nada, fazem da ironia a palavra cotidiana, desprezam a tudo e a todos. Quem são essas pessoas? Somos nós, claro. E, por meio do riso, nos exorcisamos, fingimos que não é com a gente. Mas não é só isso. Uma comédia de situações (sitcom) se constrói com humor, texto afiado, ironia, aplicados a eventos da vida cotidiana, com um desfecho que nos leva sempre a algum tipo de mensagem sobre os dilemas da vida, por menores que sejam.   Seinfeld é uma sitcom. Mas exclui da equação os eventos e as mensagens. Usa apenas a ironia, o cinismo, o absurdo. De certa forma, é a sitcom em sua mais pura essência. Não por acaso tudo soa repetitivo, antes e depois dela. Ou não.

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