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A dura tarefa de deixar os mortos vivos

Novo responsável por ‘Walking Dead’ conta como mantém o frescor da trama e lida com o vazamento de informações

João Fernando,

26 de outubro de 2013 | 19h23

Scott Gimple não é médium, mas passa o dia trocando ideias com os mortos. Na ficção. Novo showrunner - cargo máximo nas séries norte-americanas, em que a pessoa é responsável por comandar roteiristas e resolver questões de produção - de Walking Dead, ele foi recrutado para dar um gás na temporada da atração, no ar pela Fox, toda terça-feira, às 22h30.

Tanto nos EUA quanto no Brasil, onde os episódios chegam com dois dias de atraso, Gimple conseguir atrair mais telespectadores em relação à temporada anterior. A técnica foi aumentar o atrito entre os sobreviventes em meio à invasão de zumbis, na qual a trama se passa.

"Queríamos interligar as histórias, que uma afetasse a outra. Você quer que eles mudem, passem por novos desafios. Com o tempo, você vê como um afeta o outro, como a relação do Daryl (Norman Reedus) com Carl (Chandler Riggs) e Hershel (Scott Wilson). Basicamente, a história de Rick (Andrew Lincoln, o protagonista) vem a partir dos outros", explica, avisando que os personagens devem passar mais tempo na prisão em que a atual fase é ambientada.

Gimple era um leitor assíduo dos quadrinhos que inspiraram a produção antes de entrar para a equipe. Por causa da intimidade com a história, ele recria cenas com personagens diferentes na adaptação para a TV. "Fico orgulhoso de tirar grandes momentos dos quadrinhos e colocar na tela. Quando a Sophia (Madison Lintz) saiu do celeiro (e se transformou em zumbi), não foi assim nos quadrinhos. Quero tirar os momentos icônicos das HQ e colocar em outro contexto, É como o remix de uma música", compara.

O norte-americano acredita que a série terá sobrevida após a quarta temporada. "Estou sempre esperando por algo novo enquanto Robert (Kirman, criador) inventar algo. É legal como a história se desenvolve, os personagens ainda estão em uma longa jornada", aposta.

Sigilo. Apesar de conviver com atores caracterizados de zumbis, Scott Gimple só arregala os olhos quando informações vazam. "Temos o roteiro de cinco a sete semanas antes de gravar. Manter segredos é difícil e assustador. Eu me lembro quando Lori Grimes (Sarah Wayne Callies) morreu na série. Era para ser segredo, pois foi um momento chocante com uma performance maravilhosa. Não queríamos que soubessem para dar o máximo impacto aos fãs", disse ao Estado em teleconferência com jornalistas da América Latina.

O showrunner conta que há recomendações para que a equipe evite comentar o as cenas. "No set, produtores, roteiristas e atores tentam proteger deseperadamente o trabalho para honrar o que fazemos e para que os fãs tenham a experiência da maneira que deve ser. E não num spoiler ou num tuíte. Trabalhamos juntos para protegê-los."

Em meio aos mortos-vivos com pouca expressão, Gimple quer focar a trama na angústia dos humanos sobreviventes. "Há um conceito de falta de esperança. Um dos grandes momentos para esses personagens foi descobrir que todos ao redor vão virar zumbis. Vão morrer e matar os outros."

Para ele, o drama dos personagens de Walking Dead tem a ver com questões do dia a dia. "Nesta temporada, falamos se podemos voltar a ser o que éramos, se dá para mostrar afeição, manter a sanidade mental. Todo dia há uma pressão de achar um sentido para viver quando parece que tudo acabou."

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