A ciência encontra a cultura pop

VIAGEM NO TEMPO: Depois de Lost, roteiristas passaram a usar teorias científicas para embasar mistérios, formando uma geração de telespectadores sabidos

Alline Dauroiz, de O Estado de S. Paulo

22 de maio de 2010 | 16h00

Gráficos e teoremas: Fringe (acima) e FlashForward (abaixo) seguiram Lost ao lidar com manipulação do tempo e realidade paralela

 

Físicos e cientistas podem até não concordar com todas as teorias propostas por Lost, mas não se pode duvidar de que a série foi responsável por aproximar o telespectador médio da ficção científica, gênero antes restrito a um público iniciado, e contribuiu para que alguns conceitos da Física e da Matemática entrassem na moda. É fato que séries como Além da Imaginação (décadas de 50 e 80) e Arquivo X (década de 90) até chegaram a popularizar o sci-fi na TV. Mas foi apenas agora, ao beber na fonte das novas mídias, que os mistérios, que ficavam mais complicados a cada episódio, puderam ser amplamente discutidos e as teorias desenvolvidas.

 

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Quando The End, o episódio derradeiro de Lost, acabar, resta a dúvida: como fica esse telespectador que já ganhou intimidade com termos como viagens no tempo, universos paralelos, força eletromagnética e constante X variável?

 

Pois ao longo desses seis anos, embalados pela repercussão de Lost, roteiristas americanos trataram de criar tramas de mistério. Nessa leva estão: Invasion e Surface (de 2005, já canceladas), Fringe (2008), FlashForward (2009) e a mais nova, em exibição só nos EUA, Happy Town (2010). A cada nova estreia, há a esperança de criar um possível substituto para Lost, mas nenhuma até agora obteve o mesmo apelo de público e sucesso de ibope.

 

 

Teoria e prática. No ar no Brasil, Fringe, série dos mesmos criadores de Lost, é a que mais se aproxima dos conceitos apresentados na ilha. Efeito Casimir, realidade paralela, eletromagnetismo e Buracos de Minhoca são só algumas das teorias que se repetem na trama da agente Dunham (Ana Torv) do FBI, do cientista maluco Walter Bishop (John Noble) e seu filho Peter (Joshua Jonathan). A segunda temporada da série - que terminou nesta semana nos EUA e terá seus dois últimos episódios exibidos aqui dia 1.º, pela Warner - é toda focada em um universo paralelo. Fringe foi renovada para uma 3ª temporada.

 

"A maioria dessas teorias não têm relação entre si", explica o físico Mário César Bertin, do Instituto de Física Teórica da Unesp. "São teorias complexas, que fazem parte da Física Teórica. Algumas nunca puderam ser comprovadas", diz.

 

A tal viagem no tempo, também explorada por FlashForward, segundo a Física também não passa de pura ficção por enquanto. Na Teoria de Relatividade de Albert Einstein, o espaço pode se contrair e o tempo se dilatar, basta atingir uma velocidade superior à velocidade da luz, 300 mil km/h - coisa que, na prática, é impossível. "Até porque, se desse para superar essa velocidade, o corpo assumiria uma massa infinitamente pesada, o que demandaria uma força/energia infinitamente maior para mover esse corpo", explica o físico Cláudio Furukawa, do Instituto de Física da USP.

 

A trama de FlashForward propõe a manipulação do tempo e brinca com a ideia de fazer o futuro acontecer ou lutar para que ele possa ser modificado. Mesmo com dois reforços de Lost, Sonya Walger e Dominic Monaghan, a série acaba de ser cancelada pela ABC.

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