A atriz Drica Moraes volta à comédia na nova série 'A Fórmula'

A atriz Drica Moraes volta à comédia na nova série 'A Fórmula'

Após emendar papéis dramáticos na TV, ela será uma das pontas de um triângulo amoroso, do qual também fazem parte os personagens de Luisa Arraes e Fábio Assunção, no seriado da Globo que estreia no próximo dia 6

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2017 | 05h00

Aos 47 anos, Drica Moraes vem de uma sequência de papéis densos na TV e também no cinema. Na novela Império, de 2014, a atriz carioca incorporou a vilã Cora, que era obcecada pelo Comendador (Alexandre Nero), e que não media esforços e artimanhas para conquistá-lo. Com a trama em andamento, no entanto, Drica teve problemas de saúde e, por recomendação médica, precisou se afastar e foi substituída por Marjorie Estiano, que tinha feito Cora na primeira fase do folhetim. Drica voltou à cena na elogiada novela Verdades Secretas (2015), como Carolina. Num papel repleto de nuances, entre a fragilidade e a loucura, Drica teve uma interpretação brilhante, que lhe rendeu indicações a prêmios. No ano seguinte, na minissérie Justiça, viveu a problemática Vânia, casada com Antenor (Antônio Calloni) e amante de Maurício (Cauã Reymond).

Agora, na série A Fórmula, que estreia no próximo dia 6, na Globo, Drica voltará à comédia. E diz que está feliz com esse momento. “Foram Império, Verdades Secretas e Justiça, no meio do caminho, fiz um filme da Daniela Thomas, chamado O Banquete, que ainda não foi lançado. Também é um trabalho muito denso, quase trágico. São trabalhos que se situam no lado trágico, e fiquei com muita vontade de voltar para o mundo mais leve, ter esse recorte, o olhar do humor sobre essa desgraça que marca o planeta Terra”, diz Drica, em entrevista ao Estado, por telefone. “Está sendo muito bom poder transitar de novo num lugar leve, de humor e de afeto. O próprio tema de juventude eterna. Acredito que essa busca seja um pouco a de um verdadeiro sentido da vida, especialmente para quem já fez as coisas mais difíceis.”

Na história, ela vive a cientista Angélica que, depois de 30 anos, reencontra um antigo amor, Ricardo (Fábio Assunção). Drica conversou com o Estado antes da confusão em que Assunção se envolveu no último fim de semana, em Arcoverde, sertão de Pernambuco, onde o ator estava para divulgar um filme. Em seu Instagram, a atriz postou um vídeo em que saiu em defesa dele. “Sou amiga do Fábio, acabei de rodar uma série para a televisão com o Fábio e ele é uma das pessoas mais preparadas para o convívio social que eu conheço. Pro convívio profissional, político, social. É uma pessoa que tem um olhar para qualquer ser humano ao redor dele extremamente carinhoso”, disse ela. A série, que já está toda gravada, foi mantida na programação. 

Cúmplice e rival. Escrita por Mauro Wilson e Marcelo Saback, com direção de Flavia Lacerda e de Patricia Pedrosa, A Fórmula é centrada num triângulo amoroso, no mínimo, inusitado. E o catalisador de tudo é esse reencontro casual de Angélica e Ricardo. Nos anos 1980, eles – interpretados na fase jovem por Luisa Arraes e Klebber Toledo – formam um casal apaixonado e com sonho em comum de seguir a carreira na área da ciência. Os dois se inscrevem para uma bolsa de estudos em Harvard, mas só Ricardo acaba embarcando para a universidade americana. Assim, o relacionamento chega ao fim. “É um grande mal-entendido, que é a base de qualquer bom texto cômico. Shakespeare já ensinou isso para qualquer roteirista e nós aprendemos muito bem aqui no Brasil, como fazer um mal-entendido logo de cara virar a chave de uma sequência de episódios”, comenta a atriz.

Três décadas depois, a inteligente Angélica (Drica) se tornou uma cientista dedicada, mas ainda sem o reconhecimento merecido, enquanto Ricardo (Assunção) retorna à sua vida como um rico e famoso empresário na área da estética e do rejuvenescimento. Ao se reencontrarem, Ricardo, que tem a imagem da Angélica do passado, não a reconhece. O que a deixa com raiva. Aliado a isso, no mesmo dia, a cientista não consegue o tão almejado financiamento para sua pesquisa. Tomada por um misto de mágoa e raiva, Angélica cria, então, a fórmula da juventude, que ela injeta em si mesma com uma pistola, numa espécie de O Professor Aloprado, de Jerry Lewis, às avessas. E, nessa hora, surge Afrodite (vivida por Luisa Arraes), que é a versão mais jovem – e, por que não?, um alter ego rebelde – de Angélica. Ora Afrodite é sua rival, ora Afrodite é sua cúmplice.

“É um golpe do acaso. Angélica acidentalmente desenvolve uma fórmula que a faz parecer 30 anos mais jovem por algum tempo. E é um tiro no pé essa descoberta, que é o não-premeditado, que é o imponderável – isso é bacana, todo mundo ligado à pesquisa trabalha com uma parte que é o previsível, que é o projeto, e uma parte que é o imponderável, que você não controla. Então, Angélica produz uma criatura, que se rebela contra ela e vira uma outra. Aí que, de uma dupla, vira um triângulo. Esse é o charme da coisa.”

É que, certa vez, quando Angélica ‘virou’ Afrodite, Ricardo conheceu a jovem, e acabou se apaixonando por ela. Em paralelo, ele redescobre o amor por Angélica. Assim, está formado o triângulo amoroso. E, para piorar a situação, Ricardo compra a empresa onde Angélica trabalha e se torna seu patrão.

Para viverem a mesma personagem em idades diferentes, Drica conta que ela e Luisa ficaram meses muito próximas e se observando em cena. “A gente teve um trabalho de se copiar, imitar, de se roubar, foi muito prazeroso”, diz. “Fizemos uma preparação na pré-gravação com Eduardo Milewicz, e depois o próprio trabalho no set, onde a gente tinha de cuidar de gestos milimétricos, de balançar os olhos, as mãos, um tom de voz mais agudo, uma gaguejada, uma respiração mais afoita. Ficamos muito coladas, três meses quase de trabalho intenso juntas, para que a gente tentasse se clonar o máximo possível e possibilitasse essa sensação de efeito especial na carne, não pelas tecnologias.”

Todo esse processo detona também na transformação externa de Angélica. A cientista, que começa a série com os cabelos grisalhos, sem maquiagem e roupas mal-ajambradas, vai se envaidecendo gradualmente. “Ela é uma mulher dedicada à ciência, com baixíssima vaidade física. Então, tive um processo de caracterização forte. (A personagem) é uma mulher que não faz botox, preenchimento, que não pinta nem o cabelo – que é um símbolo muito forte pra a mulher”, conta a atriz. “Pediram para eu não pintar o cabelo, não passar batom, corretivo. E Ricardo não se interessa muito por essa mulher, que fez uma escolha por essa vida que também é específica e que, de tão específica, a pessoa se ‘embotoca’ toda, eu acho.” 

Aparecem também na série outras figuras, como a antagonista de Angélica, a perua Samira (Fernanda Marques Franca / Claudia Raia), antigo caso de Ricardo, e Divino (Emilio de Mello), um dos melhores amigos da cientista. Além de abordar questões mais evidentes como a tal busca da juventude eterna, A Fórmula avança, em seus subtextos, em outros temas, como a ditadura dos padrões de beleza, o amor em diferentes épocas da vida e a posição da mulher na sociedade. 

“A série traz todos esses ingredientes da comédia romântica, do amor, da graça ligeira, divertida, bem-humorada, mas o reencontro desses dois acaba tocando em valores morais, éticos, de biologia, de tudo desse mundo nosso”, avalia Drica Moraes. “Então, acho que é uma oportunidade nova a gente poder fazer um sitcom à brasileira, e falando desse mundo moderno, ligado à saúde, à qualidade de vida.”

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