20 anos de gargalhadas

Matt Groening, criador da animação, fala sobre a série que virou símbolo da cultura americana

O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2009 | 00h46

Os Simpsons completará, em dezembro, 20 anos como série de televisão. Há quem diga que a data certa é janeiro de 2010, mas, seja como for, poucos programas têm tamanha longevidade. Os Simpsons foi ao ar pela primeira vez em 17 de dezembro de 1989 em um especial de Natal. E, desde então, se popularizou nos EUA como a comédia da família, que agrada a adultos e crianças. A família amarela e de olhos esbugalhados está tão inserida na cultura americana que o termo "Doh!", repetido por Homer, está no dicionário ? "expressão de frustração ou pessoa que diz ou faz algo estúpido". Já fora da terra do Tio Sam, o bufão Homer virou símbolo do americano médio. O criador da animação, Matt Groening, diz não se importar com o rótulo, mas defende Homer, seu personagem favorito e o segredo do sucesso da série. "Homer tem bom coração", disse Groening, em entrevista com a imprensa internacional, da qual o Estado participou. "O que amo em Homer é que ele é um cara guiado por seus impulsos. Ele não tem sentimentos de culpa, apenas algum remorso. Mas ele realmente quer o que quer naquele momento. Acho que isso é algo que nós, pessoas que têm sentimento de culpa, invejamos." Apesar de horrorizar algumas pessoas com piadas politicamente incorretas, Os Simpsons é a série em que todos os famosos querem estar. Elizabeth Taylor, Mel Gibson e o elenco de O Diabo Veste Prada ? Meryl Streep, Anne Hathaway e Emily Blunt, em paródia do filme Almas Gêmeas, de Peter Jackson ? já passaram pela animação. Jodie Foster fará a voz de Maggie em um especial. Calma, apesar de ter 20 anos, Maggie não vai falar. Será um flashforward. Mas tem ator que ainda tem o pé atrás com Os Simpsons. "Já teve gente que disse ?não? por anos e depois concordou em participar", conta. "Não seria diplomático dizer nomes, mas foi uma conquista ter, por exemplo, os Beatles na série. Não foi fácil!"Piadas políticas também rendem boas risadas. A família Bush foi alvo constante das piadas e agora é a vez do presidente eleito Barack Obama. No especial Tree House of Horror, Homer tenta votar em Obama e a máquina diz: ?Um voto para McCain.? Homer pressiona o botão mais duas vezes e ela avisa: ?Três votos para McCain.? As últimas palavras de Homer antes de ser sugado para dentro da máquina são: ?Isso não pode acontecer na América. Talvez em Ohio, mas não na América.?Falar de política, no entanto, é difícil, uma vez que há lei que exige que os candidatos tenham o mesmo espaço de tempo em um determinado programa. Essa foi a causa da única "censura" de piada em 20 anos de Os Simpsons. "No ano retrasado, tivemos Rudolph Giuliani interpretando ele mesmo, mas, por causa da lei do tempo igual para os candidatos, a rede pediu para que todos os presidenciáveis estivessem na série, mas foi difícil trazer todos eles, então cortamos a cena. Mas nunca fomos censurados." Este ano, a animação ainda vai mexer com o preconceito dos americanos contra muçulmanos, em um dos episódios favoritos de Matt.ANIMAÇÕES PARA ADULTOSAo abordar temas polêmicos, Os Simpsons foi o precursor das animações para adultos e Groening acha o fenômeno incrível, mas ressalta que, mesmo sem a família amarela, esse gênero seria explorado. "Se Os Simpsons não tivesse aparecido, tenho certeza de que South Park teria nascido mesmo assim", fala. "Você liga a TV tarde da noite e nem acredita no que vê. Há coisas incríveis no ar hoje." E a favorita de Groening é Os Simpsons, claro! "Sou fã da animação e, mesmo participando da criação dos episódios, adoro assistir à série na TV, com os intervalos comerciais. O programa me entretém e estou irritantemente feliz com ele, mesmo após 20 anos."

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