David Giesbrecht/Netflix
David Giesbrecht/Netflix

Final de ‘House of Cards’ será 'lindamente macabro e shakespeariano', diz Robin Wright

Série que iniciou o fenômeno Netflix chega à sua derradeira temporada, com Caire Underwood na presidência e Kevin Spacey fora do programa

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

02 Novembro 2018 | 06h00

LOS ANGELES - Foi como uma premonição quando Claire Underwood (Robin Wright), transformada de surpresa em presidente por manobras de seu marido Francis (Kevin Spacey), virou para a câmera dizendo “minha vez” no final do quinto ano de House of Cards, a série que iniciou o fenômeno Netflix e que chega à sua sexta e derradeira temporada nesta sexta-feira (2). Porque não só os oito episódios finais mostram Claire navegando o tanque de tubarões de Washington por sua conta, mas agora ela está realmente sozinha. Frank, que tinha abdicado do governo para exercer seu poder na iniciativa privada, morreu. Tudo, claro, porque o ator principal, Kevin Spacey, foi demitido de House of Cards depois de uma investigação sobre assédio sexual que interrompeu a produção da última temporada. “Já seria uma jornada separada dele, porque Frank basicamente a enganou para ser a presidente sem ser eleita”, disse Wright em entrevista ao Estado em Los Angeles. “Os dois iam ser rivais. Claire jamais aceitaria fazer o que ele quisesse. Ia fazer à sua maneira. Então não mudou a trajetória. E você sente a presença de Francis, ela não desapareceu.”

Os “showrunners” Melissa Gibson e Frank Pugliese acharam que deixar a sombra de Francis perseguindo Claire era a melhor maneira de contornar a ausência do de Spacey na tela, ao contrário de muitas outras séries que simplesmente ignoram o personagem quando seu ator saiu ou foi saído. “Seria desonesto”, disse Pugliese. “Como a temporada anterior terminou com ela dizendo ‘Minha vez’, era inaceitável não explorar a vez dela.” Para Melissa, Claire já tinha se dado conta que seu relacionamento com Francis jamais seria igualitário. “E quando as circunstâncias mudaram, foi uma oportunidade para ela se confrontar consigo mesma e suas escolhas para chegar onde chegou, e vê-la lutar para seguir adiante. Mas ainda há pessoas à sua volta tentando controlá-la e controlar sua narrativa. E ela resiste a isso.”

Por mais poder que Claire sempre tenha tido, ela enfrenta dificuldades nos seus primeiros meses de governo. “Vamos ver como ela vai lidar com essas adversidades, com quem vai estabelecer parcerias, em quem ela pode confiar”, disse Wright. Entre elas, ser constantemente ligada ao falecido e ser menosprezada por ser mulher. “Nós sabemos que, se gritarmos ou causarmos discussões no trabalho, somos divas ou vacas”, afirmou Wright. “Se os homens fazem isso, eles só estavam num dia ruim.”

Duas dessas pessoas que vão causar problemas a Claire são novos personagens, Annette Shepherd (Diane Lane) e seu irmão Bill Shepherd (Greg Kinnear), empresários poderosos que usam dinheiro e influência para controlar o governo – como os irmãos Koch, ou Betsy DeVos e Erik Prince ou Robert Mercer e sua filha Rebekah, na vida real. “Queríamos mostrar o poder por trás do poder”, disse Melissa Gibson. “Sabemos desde o Citizens United (organização que conseguiu derrubar uma lei federal americana proibindo empresas e sindicatos de ter gastos em eleições federais) que o dinheiro exerce uma influência enorme no nosso sistema político e queríamos examinar isso.”

Como Annette e Claire são amigas dos tempos de universidade, o público vai descobrir um pouco mais do passado da nova presidente, inclusive de sua infância, em flashbacks. “Claire sempre foi misteriosa. Parecia uma oportunidade de ver quem ela é em vários estágios de sua vida e também voltar a vê-la como uma criatura sem amarras. Ela quer retornar a isso”, disse Gibson. Frank Pugliese acrescenta: “Para ser autônoma, poderosa e estar em completo controle de sua vida, ela precisa fazer uma investigação de si mesma”. Robin Wright também tem a chance de se dirigir à câmera, e, portanto, ao público. “Ela fala com o espectador de maneira diferente que Francis”, disse a atriz. “É uma relação íntima, honesta, direta, transparente. Porque Francis sempre estava fazendo campanha para o público, mesmo quando estava falando a verdade.”

Robin Wright concordou que Claire sempre fica bem, mas descreveu o final de House of Cards como “lindamente macabro” e “shakespeariano”. Um fim apropriado para uma série com personagens sempre comparados aos de Macbeth

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