Mathieu Doyon/Divulgação
Mathieu Doyon/Divulgação

Virginie Brunelle e sua busca pelas emoções autênticas

Coreógrafa canadense vem pela primeira vez ao Brasil para mostrar espetáculo inspirado no cotidiano de casais

Helena Katz - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

20 Março 2015 | 22h48

Depois de mostrar seu trabalho na Dinamarca, Coreia do Sul, no Líbano, na Bélgica e Itália, a Cie Virginie Brunelle, fundada em Montreal, em janeiro de 2009, vem, pela primeira vez ao Brasil, a convite do Sesc, para apresentar Complexo dos Gêneros na sua unidade Pompeia, hoje, às 21 horas.

Estreado em 2011, foi o terceiro espetáculo criado por Virginie Brunelle que, aos 32 anos, vem se destacando na cena da dança em Quebec e, ao mesmo tempo, expandindo a sua circulação internacional. Complexo dos Gêneros mistura referências do trabalho de Pina Bausch (bailarinos usando a dança para falar de suas histórias pessoais) com o cinema de Lars von Trier (Ninfomaníaca, Anticristo e Melancolia) e de Charlie Kaufman (Quero Ser John Malkovich).

Virginie tocou violino durante 10 anos e, quando tinha 20, começou a dançar. Trata a excelência técnica como um componente primordial, mas se diz interessada em produzir o que chama de “emoções autênticas”. Para isso, investe em movimentos intensos e na exposição de clichês, pois diz que busca desmistificar o que habitualmente a sociedade atribui aos papéis masculino e feminino. “Planejei falar do que define o homem e a mulher, do que os distingue fisicamente, corporalmente, emotivamente, e percebi que estes homens e mulheres que parecem diferentes desejam as mesmas coisas: tentam encontrar o amor, a felicidade, a simplicidade.”

Inspira-se no cotidiano de casais para explorar os medos, o ciúme, a insatisfação, o perfeccionismo, as incompreensões, as dúvidas, propondo o abandono desses sofrimentos e a busca do amor e da felicidade. “É preciso desapego para conseguir viver o momento presente”, diz ela. Interessada no encontro, coloca as bailarinas nas pontas e explora os duetos. “Adoro os portés (situação na qual alguém carrega alguém) e tento inová-los de todos os modos, um pouco inspirada pelo toque de passos acrobáticos”, explica ainda.

Estruturado em uma sucessão de quadros, Complexo dos Gêneros mistura música pop e clássica na sua trilha sonora. “A peça fala das dificuldades que homens e mulheres têm para se aceitar, por conta de uma baixa autoestima e das suas consequências nas relações de um casal. A incomunicabilidade vem de uma incapacidade de acolher o outro e se adaptar, de uma resistência que cria as confrontações, os erros.” 

São seis bailarinos, uns vindo do treinamento em balé clássico e outros do esporte, buscando traçar “a questão identitária que tensiona as relações” em uma coreografia que, segundo sua autora, está pautada por duas palavras: nuance e textura. Ela acredita ser uma boa maneira de entrar em contato com a sua obra. “É uma peça que introduz bem o nosso trabalho, com imagens fortes e explícitas, em uma narrativa poética bem acessível para quem não conhece dança contemporânea.” Do Brasil, é admiradora do Grupo Corpo. “Em 2004, quando estava começando, um dos primeiros espetáculos a que assisti foi deles, e me encantei”, recorda. Em 2013, estreou sua obra mais recente, Plomb. “Ela é completamente diferente, com um elenco de nove intérpretes de 20 a 50 anos, se situando entre a dança e o teatro, com imagens cinematográficas mais grandiosas”, acrescenta Virginie Brunelle. 

COMPAGNIE VIRGINIE BRUNELLE

Sesc Pompeia. Teatro. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. Sábado, às 21 h. R$ 12/ R$ 40.

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