Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

‘Vamp, o Musical’ celebra o valor da vida

Espetáculo estreia nesta sexta-feira, 15, e será a despedida de Ney Latorraca dos palcos

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2017 | 06h00

Quando Ney Latorraca entrar em cena, o espectador pode se preparar para assistir a um momento único, que provavelmente não mais vai se repetir. “Ney é o único do elenco a ter total liberdade de improviso”, esclarece Jorge Fernando, diretor-geral de Vamp, o Musical, que estreia nesta sexta-feira, 15, no Teatro Sergio Cardoso, depois de uma temporada de sucesso no Rio. “Precisamos ter uma leitura irônica do espetáculo e não há ninguém melhor que o Ney para fazer isso.”

Jorge Fernando está exultante do outro lado da linha, na conversa com o Estado. Quem o conhece há um certo tempo, sabe que se trata de um homem em que a alegria explosiva é uma de suas marcas pessoais. Mas o momento é especial: ele já se sente mais recuperado de um AVC que sofreu em janeiro e que o afastou dos ensaios antes da estreia carioca – seu assistente, Diego Morais, assumiu a direção. “Parecia que eu estava pressentindo algo, pois, no início do trabalho, na primeira reunião com a equipe, levei uma maquete do cenário e mostrei cena a cena o que pretendia para o espetáculo”, conta. “E Diego foi altamente profissional, executando tudo o que tínhamos planejado, mesmo as cenas em que ele não concordava muito.”

Não é difícil entender tal proximidade do encenador com o projeto. Afinal, o musical é inspirado na novela Vamp, um imenso sucesso quando exibida pela Globo, entre 1991 e 92. E boa parte do time daquela época continua presente na versão teatral. A começar por Jorge Fernando e Ney Latorraca, que repete no palco o papel de Vladimir Polanski (homenagem ao diretor polonês), personagem que marcou sua carreira. Na verdade, marcou também a da atriz Claudia Ohana (ela revive a cantora roqueira Natasha), o figurinista Lessa de Lacerda, o cenógrafo José Claudio Ferreira e o autor Antonio Calmon.

A trama acompanha Natasha, uma cantora que vende a alma para Conde Vlad em troca do sucesso na carreira. Ele, apaixonado por sua presa, fará de tudo para conquistá-la, mas, com o passar do tempo, Natasha só tentará se livrar dele e da maldição de ser vampira para sempre. “O musical traz a essência da novela – é como condensar 200 capítulos em duas horas”, comenta Latorraca, para quem o espetáculo, em sua versão paulista, tem um caráter especial.

O ator anunciou que vai se aposentar dos palcos, ao terminar essa temporada paulistana. Aos 73 anos, ele acredita que esse seja o melhor momento, pois está “em alta”. Ao Estado, Latorraca disse que pretende fazer uma pausa, sem precisar, contudo, o período.

“Chegou a minha hora de ficar quietinho. E, quando voltar, estar melhor ainda”, afirmou. “Tenho respeito pelo público e por mim mesmo. Esse tempo será bom também para me reciclar, uma palavra, aliás, péssima.”

E o ator se encaixa perfeitamente no espetáculo concebido por Fernando, “um teatro de revista moderno”: em cena, Latorraca domina a atenção, demonstrando que continua um mestre do humor. “Não faço uma peça de enorme sucesso desde O Mistério de Irma Vap (que dividiu com Marco Nanini, ficando em cartaz entre 1986 e 1997) e esse musical reforça o bom momento da minha vida nessa nova fase”, conta Latorraca que, em 2012, sofreu um grave problema de saúde.

Vlad é um de seus grandes personagens e o segredo do sucesso foi a opção de não criar um galã, mas um vampiro sedutor e principalmente engraçado. De fato, Latorraca participaria de apenas nove capítulos da novela, mas a enorme aceitação popular o impôs como protagonista. No musical, ele utiliza o recurso do improviso, brincando tanto com eventuais problemas técnicos, e até fazendo piadas com colegas do elenco. “Temos uma química incrível em cena”, atesta Claudia Ohana. “Depois da temporada no Rio, eu me sinto mais madura e conheço melhor o Ney.” 

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E a versão paulista, garante Jorge Fernando, está mais ágil. “Melhorei o acabamento e tirei 12 minutos do espetáculo”, diz ele. “Na adaptação, procurei ser fiel à novela e manter o equilíbrio entre o humor negro sobrenatural, o imaginário infantil, o romantismo juvenil e a realidade cotidiana dos adultos”, explica Antonio Calmon. Assim, canções que marcaram o folhetim permanecem, como Noite Preta, Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones, e Puro Êxtase. Outros standards estão na lista como Gita, Felicidade Urgente, Doce Vampiro e, principalmente, Thriller, que inspirou uma criativa coreografia de Alonso Barros.

VAMP, O MUSICAL    

Teatro Sergio Cardoso. Rua Rui Barbosa, 153. Tel.: 3288-0136. 6ª, 20h30. Sáb., 17h e 21h. Dom., 16h30. R$ 40 / R$ 150. Até 29/10

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