Hélvio Romero/ Estadão - 17/120190
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'Vamos superar e vamos mudar muito, eu acredito', diz Claudia Raia sobre o coronavírus

Em entrevista ao 'Estado', a atriz, cantora, bailarina e produtora revelou, entre outros assuntos, que prepara um livro de memórias, além de tratar de temas atuais

Entrevista com

Claudia Raia

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2020 | 05h00

Uma das artistas mais completas do Brasil, Claudia Raia está em sua casa, no isolamento social, junto de seu marido, Jarbas Homem de Mello. Com os problemas trazidos pela pandemia do coronavírus, a atriz de 53 anos, como todos os brasileiros no momento, tem se desdobrado em manter seu equilíbrio físico e mental, arrumando formas variadas para preencher seu tempo. Tarefa complicada para uma pessoa que não para um segundo, sempre participando de programas de TV, integrando novelas ou seus amados musicais no teatro. E ela foi surpreendida pela decretação da pandemia quando estava em Portugal. Voltou rapidamente para o Brasil, mantendo-se em quarentena e o mais tranquila possível, mas ativa, sem perder a conexão com o mundo exterior. 

Ao Estado, a também cantora, bailarina e produtora revelou, entre outros assuntos, que prepara um livro de memórias, além de tratar de temas atuais, como a questão do uso da internet para se conectar com as pessoas. Por isso mesmo, integra uma ação para colaborar com quem mais precisa e participa, ainda que virtualmente, do programa #Provocações, apresentado por Marcelo Tas, que vai ao ar nesta terça, 28, na TV Cultura. A seguir, as respostas que Claudia Raia enviou, por e-mail, ao Estado

O que tem feito para preencher seu tempo na quarentena? Esse é um período para reflexões mais profundas?

Estou trabalhando na minha biografia. Eu e (a escritora) Rosana Hermann nos falamos diariamente para entrevistas para o livro. Estou lendo também. Li a biografia da Rita Lee, que eu já queria ler há algum tempo, e adorei. Faço ioga, tenho uma rotina de exercícios em casa. Estamos tentando construir e manter uma rotina. É um momento que acabo me questionando muito sobre para onde estou caminhando. Ter esse tempo dessa maneira faz, sim, a gente pensar mais em si, nas nossas questões. E também pensar em como ajudar. Afinal, as pessoas são afetadas em níveis diferentes pela pandemia. Estou me mobilizando para contribuir e ajudar como posso. Fizemos o festival online Ao Vivo Pela Vida neste último fim de semana e arrecadamos doações para o Fundo Emergencial Para Saúde – Coronavírus Brasil e para a Ação da Cidadania. E, mesmo com o fim do festival, as doações continuam. Basta acessar o site www.aovivopelavida.com para continuar doando e participando dessa corrente do bem. Eu e Jarbas estamos à frente da campanha de doação do Hospital das Clínicas de São Paulo, a #HCComVida. Estou junto com a Brazil Foundation e a Conservação Internacional apoiando a causa indígena. Agora para mim é o momento de agir e ajudar!

Tem usado os recursos eletrônicos, internet, redes sociais, para se manter próxima do público e dos amigos?

Com certeza. O aniversário do (meu filho) Enzo foi agora, no dia 15 de abril, e fizemos uma comemoração por meio de chamada de vídeo com a família. Foi uma maneira diferente de a gente estar com quem a gente ama. Essa proximidade que a tecnologia proporciona é muito boa.

Está seguindo todas as recomendações de segurança? Fica no pé dos seus filhos, ou eles no seu, para ficarem em segurança?

Sem dúvida. Não saio de casa desde 13 de março, quando cheguei ao Brasil vindo de Portugal, onde eu e Jarbas estávamos com a turnê de Conserto para Dois. Cumprimos todos os protocolos de higienização dos alimentos, das mãos. E ficamos em casa. Para quem também pode, fique em casa. E se você precisa sair, se cuide e se proteja da melhor maneira.

Tem visto os noticiários, concorda que há a necessidade de se falar mais sobre coisas boas, que os jornais só passam o que acontece de ruim?

Eu acho que essa é uma busca nossa. Entendo o que os noticiários fazem. O trabalho da imprensa é importantíssimo para que nos mantenhamos informados. Acho que precisamos estabelecer um equilíbrio saudável para nós consumirmos essas informações. É importante buscar também coisas que te ajudem a atravessar isso. Você lê a notícia, mas também faz a ioga, lê um livro, medita... ou tira um tempo para não fazer nada. É fundamental a gente cuidar da nossa saúde mental e se fortalecer.

Como acha que vai ser a recuperação dos musicais – antes da pandemia, as grandes produções estavam seriamente ameaçadas pelas mudanças na Lei Rouanet. O que será agora?

O que será agora, acho que ninguém sabe ainda. Não só os musicais, mas a cultura está sendo severamente afetada pela pandemia do coronavírus. A importância da cultura é econômica, sem dúvida. Só em São Paulo, o teatro musical movimentou R$ 1 bilhão em 2018 e gerou cerca de 13 mil empregos, segundo estudo da FGV. A cultura tem ainda um papel agregador muito importante, que também se perde em um momento de isolamento. É preciso uma política de incentivo, pós-quarentena, para que as pessoas voltem ao teatro, ao cinema, aos shows. Não sabemos como será o retorno das pessoas a essas atividades. É preciso acompanhar o aumento do consumo do streaming, tanto de filmes quanto de música, por exemplo. Porque pode levar um tempo para que tudo se normalize. Pode parecer que a situação é simples: acabou a quarentena e tudo voltará ao normal. Mas não é bem assim que funciona. Afinal, esse período de isolamento também muda a relação das pessoas com a arte e a cultura.

Você está nesse projeto para arrecadar doações para quem precisa. Qual a importância de participar de uma ação dessas? 

A importância é ajudar o próximo. Estamos todos sofrendo com a pandemia, mas há sem dúvida pessoas mais afetadas por essa crise, pessoas em situação de vulnerabilidade. E é importante pensar nelas. Para mim, participar de ações como essas vai além de me elevar como ser humano, é uma questão de humanidade. Somos seres coletivos, vivemos em sociedade. Não posso fingir que não vejo pelo que o outro está passando.

 

Nós vamos superar esse vírus? Como seremos depois – crê em uma mudança nas relações humanas?

Vamos superar e vamos mudar muito, eu acredito. Acho que será um novo mundo e a gente tem que se preparar. Será um mundo solidário, de mais igualdade, tenho certeza. Para quem pensa só em si, não terá lugar para vocês. Vamos melhorando porque estamos nessa vida para melhorar.

O que tem visto ou lido?

Livros. O Poder da Cabala, Ayurveda Simplificada, Rita Lee: Uma Autobiografia. E estou escrevendo o meu, a minha biografia. Série: acabei de assistir à La Casa de Papel, que me deixou enlouquecida. Estou evitando as coisas mais violentas, mais dramáticas, e vendo programas mais lúdicos, mais românticos, mais leves, mais comédias. As notícias diárias já consomem a gente. Prefiro, principalmente, de noite, coisas mais leves. / COLABOROU UBIRATAN BRASIL

 

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