LUCAS JACKSON/REUTERS
LUCAS JACKSON/REUTERS

Tom político marca a festa do Tony em Nova York

Principal premiação do teatro americano celebra obras que valorizam a irmandade e rejeitam o fanatismo

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2018 | 23h22

A festa do prêmio Tony, aos melhores do teatro americano, na noite deste domingo, 10, em Nova York, trouxe como marca, além de muita música e dança, uma forte conotação política e social. E os artistas não precisaram, ao discursar, desviar o assunto para esses temas – os próprios papéis que os vencedores encenaram no palco contribuíram para isso.

Andrew Garfield e Nathan Lane são um exemplo. Ganhadores respectivamente do prêmio de melhor ator e ator coadjuvante por suas atuações em 'Angels in America', eles fizeram uma defesa dos direitos da comunidade LGBTI. Garfield, que interpreta um rapaz infectado pelo vírus da aids nos anos 1980, quando o estigma ainda era grande, dedicou seu prêmio aos gays que lutaram e morreram pelo direito de amar. Ele disse ainda que a peça é uma rejeição do fanatismo, vergonha e opressão.

“Somos todos sagrados”, disse ainda Garfield, referindo-se à decisão da Suprema Corte dos EUA que, na semana passada, decidiu em favor de um padeiro de negar a um casal gay um bolo de casamento baseado em suas crenças. “(Vamos) fazer um bolo para todo mundo que deseja um bolo”, disse. Já Nathan Lane, além de dedicar o prêmio a seu marido, afirmou que a peça, escrita nos anos 1990 por Tony Kushner, ainda fala à sociedade em meio à “insanidade política”.

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De uma certa forma, foi também esse o tom do discurso da veterana Glenda Jackson, vitoriosa com o Tony de melhor atriz por sua atuação em 'Três Mulheres Altas', de Edward Albee. “Essa cidade e esse país sempre tiveram como marca a hospitalidade e a generosidade. Portanto, não é necessário tornar a América grande novamente”, disse ela, fazendo alusão à principal mensagem de Donald Trump durante a campanha presidencial: “Make America great again”.

Emocionado, o ator Ari’el Stachel, melhor coadjuvante por 'The Band’s Visit', fez um discurso sincero sobre seu passado. “Por muitos anos da minha vida, fingi que não era uma pessoa do Oriente Médio”, disse ele, agradecendo aos criadores do musical “pela coragem de contar uma pequena história sobre árabes e israelenses se dando bem em um momento em que precisamos disso mais do que nunca”. E acrescentou: “Faço parte de um elenco de atores que jamais acreditava ver retratadas suas próprias raças. E estamos fazendo isso”.

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