Kelly Knelves/Festival de Curitiba
Kelly Knelves/Festival de Curitiba

Tecnologia propõe nova relação com espectador no teatro

Ela foi usada em dois espetáculos apresentados na edição 2018 do Festival de Curitiba, que chegou ao final no domingo (8)

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S. Paulo

09 Abril 2018 | 06h00

Para que o teatro aconteça, não é preciso cenário, figurino, texto ou palco. De acordo com a definição do termo, de etimologia grega, apenas duas coisas seriam imprescindíveis: um ator, que apresente uma ação, e uma plateia, disposta a assisti-lo. Mas talvez o conceito dessa arte milenar mereça ser revisto à luz das novas tecnologias. 

Em Frequência Ausente 19Hz e Máquina de Ser Outro, dois espetáculos apresentados na edição 2018 do Festival de Curitiba – que chegou ao final neste domingo (8) –, não há nem intérpretes nem plateia que compartilhe coletivamente uma experiência. Ambas as peças pressupõem que um espectador solitário seja levado a vivenciar situações de realidade virtual criadas por diferentes máquinas. 

Resultado de uma extensa pesquisa da paulistana ExCompanhia de Teatro, Frequência Ausente 19Hz propõe um encontro individual entre o público e a capital paranaense. Após receber breves instruções técnicas e ter o celular carregado com 16 arquivos, cada participante sai desacompanhado, munido apenas de fones de ouvidos, para um tour pela cidade. 

O mote do espetáculo foi o romance de Jean-Paul Sartre, A Náusea. A trama, porém, surge combinada com histórias pouco conhecidas de prédios históricos, monumentos e praças curitibanas. “Olho para a tecnologia como uma forma de proporcionar novos encontros”, diz Gustavo Vaz, autor da peça e responsável pela sua interpretação.

Na peça, ele usou a tecnologia do áudio 3D para reproduzir espacialmente sons que foram gravados em uma situação prévia. 

“Com essa experiência, queremos propor uma reconexão entre as pessoas e o espaço urbano, para que ele encontre nessa descoberta da história invisível da cidade um pouco de sua própria identidade.” 

Em A Máquina de Ser Outro, o grupo espanhol BeAnother Lab criou uma instalação interativa em que se oferece a possibilidade de ocupar um outro corpo. Com o uso de câmeras, um microfone e óculos especiais, o espectador passa a ver o corpo de uma outra pessoa quando se olha. Além de ter a estranha experiência de apertar a mão de um estranho que é igual a ele próprio. 

Segundo os criadores, que já levaram a instalação a cidades como Berlim e Bogotá, a proposta do experimento é expandir a percepção da identidade. 

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