EFE/ Juan Carlos Hidalgo
EFE/ Juan Carlos Hidalgo

Teatros e cinemas abertos: a exceção cultural espanhola em plena pandemia

Para algumas salas, o investimento para recuperar o atraso foi colossal. O Royal Theatre gastou um milhão de euros em um sistema capaz de desinfetar com raios ultravioleta o ambiente

AFP, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2021 | 08h08

Apesar do fechamento de inúmeras instituições, a Espanha parece ser um oásis cultural em uma Europa deslocada pela pandemia, já que, ao contrário de vários países vizinhos, suas salas de espetáculos, cinemas e teatros continuam funcionando em geral.

Para operar, seguem um rígido protocolo sanitário, que inclui lotação reduzida do público, distância de segurança entre os espectadores, guarda-volumes e bares fechados.



Na Espanha, as instituições culturais foram autorizadas a reabrir no verão passado, depois de um dos mais severos confinamentos do mundo. E continuam trabalhando, apesar da atual terceira onda da pandemia da covid-19, ao contrário do que acontece na França e na Alemanha.

Para algumas salas, o investimento para recuperar o atraso foi colossal. O Royal Theatre gastou um milhão de euros em um sistema capaz de desinfetar com raios ultravioleta o ambiente, os camarins e até o vestiário.

Cantores de ópera são submetidos a testes de PCR, assim como músicos de orquestra, que devem usar máscaras, com exceção dos sopranos.

"Você pode e deve" oferecer estes espetáculos, disse à AFP o ministro espanhol da Cultura, José Manuel Rodríguez Uribes, que quer mostrar que "a cultura é um espaço seguro". 

A pandemia obrigou, porém, o fechamento temporário de algumas instituições renomadas, como o Liceu de Barcelona, em novembro passado. 

Entre os toques de recolher noturnos, o medo do público de se infectar e as dificuldades econômicas derivadas de uma primavera sem apresentações, várias instituições culturais do país ainda não conseguem abrir.

Segundo Javier Olmedo, diretor da associação Noche en vivo, que reúne 54 salas de concertos na região de Madri, "80% não abrem desde março".  "É um momento de desespero", relata.

Nas redes sociais, surgem iniciativas como #TeatroSeguro, ou #LaCulturaEsSegura, as quais insistem em que nenhum surto foi detectado em estabelecimentos culturais.

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