Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Teatro Sérgio Cardoso festeja quatro décadas com programação online

Apresentações de João Carlos Martins, Fafá de Belém e Claudia Raia marcam a celebração virtual

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2020 | 05h00

Na expectativa de reabertura, após a cidade passar para a fase verde do plano de reabertura de São Paulo, o Teatro Sérgio Cardoso festeja 40 anos de seu espaço com programação cultural. Nesta terça, 13, data que marca o aniversário do teatro, estava prevista uma apresentação da São Paulo Companhia de Dança de seu novo espetáculo, Dança Hoje, mas foi cancelada.

Os esforços da SPDC fazem parte de experimentos, como ocorreu em 10 de setembro, quando a companhia se apresentou durante a quarentena ao vivo no tablado do teatro. Dança Hoje é composto de solos, duos, trios e quartetos – o espetáculo inédito foi filmado por Rubens Crispim Jr. e tem trilha sonora executada ao vivo, com direção de Ricardo Bologna. Com isso, o festejo dos 40 anos terá as apresentações do maestro João Carlos Martins, às 19h, Fafá de Belém, às 21h, e Claudia Raia, às 22h. A transmissão pode ser vista na plataforma Cultura em Casa.

O Teatro Sérgio Cardoso foi inaugurado em outubro de 1980, com a peça Sérgio Cardoso em Prosa e Verso, em homenagem ao ator morto em 1972. No elenco, estavam a ex-esposa do ator, Nydia Licia, Umberto Magnani, Emílio di Biasi e Rubens de Falco, dirigidos por Gianni Ratto. Para homenagear a parceria de Nydia com o ator, a sala maior do Teatro Sérgio Cardoso receberá o nome da atriz, diretora e produtora teatral, que morreu em 2015 – será uma cerimônia acompanhada de sarau, às 20 h.

Por esse palco, passaram inúmeros artistas, mas pouca gente sabe que não se trata do mesmo prédio encontrado por Cardoso e Nydia, em 1956. Antes chamado de Teatro Bela Vista, o espaço abrigou as instalações do antigo Cine Teatro Espéria e, até os anos 1980, recebeu mais de 70 espetáculos. O primeiro foi Hamlet, Príncipe da Dinamarca, com o Sérgio Cardoso no papel principal, considerado o primeiro brasileiro a interpretar um texto de Shakespeare em São Paulo. As informações são do crítico e pesquisador José Cetra.

Com o fim do casamento de Cardoso, Nydia saiu da companhia e mais tarde tornou-se responsável pelo teatro. O motivo do encerramento das atividades do Bela Vista não foi diferente de tantas histórias de espaços teatrais no País. Em 1976, anos depois de fechar as portas, Nydia explicou ao Serviço Nacional de Teatro que, após o fim do contrato, os proprietários se desentenderam e pediram o teatro de volta, para vendê-lo “ou alugar, fazer uma garagem, sei lá”.

Na época, a atriz apresentou o caso para a extinta Comissão Estadual de Teatro e despertou o interesse do governo de São Paulo, que decidiu adquirir o terreno e demolir a construção porque, segundo Nydia, “todos acharam que o teatro estava um horror”.

Neste ano, o Sérgio Cardoso tem planos de retomada presencial após o anúncio de que a cidade de São Paulo está na fase verde de flexibilização da quarentena nos equipamentos culturais. Segundo a assessoria, o espaço deve estipular datas para retorno dos espetáculos com presença de público. Ainda de acordo com a assessoria, “o espaço já está em processo de negociação com produções previstas para estrear na casa, e elaboração da agenda de programação”.

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