NILTON FUKUDA/ESTADÃO
NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Teatro Oficina aguarda por reforma para que árvore não derrube a parede

Será a primeira vez que o teatro de Lina Bo Bardi vai passar por restauro, readequação e requalificação

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2018 | 06h00

Quando o Teatro Oficina completou 25 anos, o ano de 2009 não trouxe tantos festejos, mas também preocupação para a equipe do diretor Zé Celso. O prédio projetado pela italiana Lina Bo Bardi em 1984 necessita de reparos. Hoje, ainda mais urgentes. Em visita ao espaço, o Estado acompanhou as arquitetas ligadas ao Oficina Marília Gallmeister e Carila Matzenbacher e verificou-se a necessidade de restauro.

Umas das primeiras ações foi a troca das sapatas das arquibancadas tubulares, que estavam enferrujadas. O desgaste e contato com água desgastou a base das estruturas. “Os reparos são feitos com recursos dos espetáculos, o que é muito pouco, levando em conta o numeroso elenco e as despesas”, conta Marília. 

Há algum tempo, conta Carila, foi a vez do telhado. A estrutura criada por Lina tem uma controle automático que quando é ativado, revela o céu aberto para a plateia. “Estava emperrada. Considerando que as dramaturgias do Oficina são parte da arquitetura, problemas como esse interferem no modo de criação dos espetáculos. Precisamos que o espaço funcione em sua toda potência criativa.”

O que mais preocupa é o muro encostado à grande cisalpina, uma árvore da família do pau-brasil, que tem suas raízes plantadas dentro do Oficina e sua copa se estende para fora, ao lado do janelão de vidro. No dia em que a reportagem visitou o teatro, foi possível verificar que o tronco retorcido, ao crescer, abalou parte da parede e alguns tijolos estão soltos do conjunto. “Um pedaço da viga foi retirada”, conta Marília.

Parte da solução veio com a elaboração do projeto de restauro, readequação e requalificação do Teatro Oficina, conduzido pela Gema Arquitetura. É a primeira vez que o teatro recebe uma empreitada como esta, desde sua fundação. No plano, está previsto a criação de um novo pavimento na parte superior do teatro com o fechamento em vidro em todas as faces. A solução para á árvore e descolar os tijolos que amparam o tronco e estender o janelão de Lina até o chão. “Fizemos um projeto completo que prevê instalação de elevador, novos volumes de caixa d’água, pavimentos para camarins, reforma de toda parte hidráulica, elétrica, das arquibancadas. O Oficina é ícone de São Paulo, com características únicas, e que precisa ser preservado”, afirma Nara Grossi, sócia da Gema Arquitetura. A arquiteta lembra que o projeto elaborado em conjunto com a contratante, a Secretaria de Cultura do Estado, já recebeu aprovação em todos os órgãos de proteção ao patrimônio e agora aguarda processo de licitação para contração da empresa e início das obras. Enquanto aguarda, o Oficina ensaia a remontagem de Roda Viva, musical de Chico Buarque, ainda sem data de estreia. No último fim de semana, Zé Celso embarcou com O Rei da Vela para Porto Alegre. A peça que estreou em 2017 marcou os 50 anos do grupo. 

Espera. Já a batalha do Oficina contra o projeto das torres residenciais da Sisan Empreendimentos – braço imobiliário do Grupo Silvio Santos parece ter tido uma trégua. No fim de setembro, o Ministério Público do Meio Ambiente pediu à Justiça, em liminar, que impeça o início das obras. Segundo o MP, o terreno está inserido no perímetro de tombamento o objetivo da liminar é preservar as características da região, que “representa a memória histórica, arquitetônica e urbanística da formação de São Paulo”. 

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