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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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Teatro misturado ao sal

Grupo 1Comum tem como tema de sua residência artística a vida dos trabalhadores das regiões salineiras do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

07 Fevereiro 2019 | 02h00

Chafurdar no sal, literalmente, é uma das missões de um coletivo teatral para levar ao palco uma realidade distante da vida urbana. A investigação sobre os trabalhadores nas regiões salineiras do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte tem sido feita há meses pelo grupo 1Comum como tema de sua residência artística, que se inicia em 19 de fevereiro no Sesc Avenida Paulista. A ideia é entender o ofício dos profissionais, suas histórias, tradições e também as questões trabalhistas, por consequência das mudanças tecnológicas da atividade extrativista. Nos dias 19 e 20, das 20 às 22 h, haverá leitura do texto com Adassa Martins, Dani Barros e Tatiana Tiburcio.

ATOR AUSENTE

Como parte de sua vocação às performances, o mesmo Sesc traz também um espetáculo itinerante chamado frequencia_ausente.doc, feito com base na dramaturgia site specific — criada para o ambiente e local específicos, segmento da arte ambiente. A perfomance leva o visitante a passear pelos andares do prédio na tentativa de descobrir o paradeiro de um ator que desapareceu ali ao descobrir que a plateia sumiu no dia de sua apresentação. Seguem rastros deixados em celulares, bilhetes, mensagens em áudio e vídeo com os relatos do ator antes do seu desaparecimento. A produção é da ExCompanhia de Teatro, que tem Bernardo Galegale, Gabriel Spinosa e Gustavo Vaz à frente, e fica em cartaz de 21 de fevereiro a 16 de março. “A experiência mistura realidade e ficção abrindo espaço para a dúvida no público, para que se questionem se o ator sumiu mesmo ou não, se o fato aconteceu ou não”, conta Vaz. “A ideia é fazer da exposição uma espécie de documento da existência desse ator, ao mesmo tempo que se torne um espaço de discussão sobre o Teatro e sobre a existência do artista hoje em dia”. Tem sentido. A ginástica é inventiva e interativa, claro, para quem tem fôlego e interesse.

IGUANA AGAIN 

E tome Tennessee Williams na cabeça. Estreia em 6 de julho, no Noël Coward Theatre, Londres, a nova montagem de A Noite da Iguana, do dramaturgo norte-americano. Elenco daqueles, encabeçado pelo ator inglês Clive Owen (Filhos da Esperança, Closer), que está de volta ao West End britânico depois de 18 anos de ausência – sua última peça na terra de Will foi Um Dia na Morte de Joe Egg, de Peter Nichols, em 2001. Owen encarna o ex-pastor alcoólatra T. Lawrence Shannon, no papel que recentemente foi de Alfred Molina e Woody Harrelson no teatro. No cinema, John Huston tinha um trinca de ouro: Richard Burton, Ava Gardner e Deborah Kerr.  

  

ENDOWMENTS WHAT? 

Assinada nos primeiros dias deste ano, uma lei pode ajudar a mudar o panorama das artes no País por meio de endowments, os fundos patrimoniais para a cultura. Leia a entrevista com o empresário Ricardo Levisky, do Fórum Internacional de Endowments para Legados, no blog da coluna – endereço no cabeçalho. A próxima edição do fórum tem datas e locais marcados: primeiro em 20 de setembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e em novembro, em São Paulo. O foco é atrair investimento estrangeiro e nacional para os fundos patrimoniais brasileiros.

PAPO NO TABLADO

A escola de atuação carioca O Tablado promove, de abril a agosto, uma série de 16 encontros com gente de teatro e das artes, como Geraldo Carneiro, Hamilton Vaz Pereira, Ricardo Kosovski e a própria diretora Cacá Mourthé. São palestras sobre o ofício, desde as origens aos dias de hoje, batizadas de Teatro Tônico — Uma Breve História do Teatro Ocidental. Todas as sextas, 20 horas.

 

3 PERGUNTAS PARA 

MARIA CLARA SPINELLI

Atriz, diz que teatro a faz se sentir viva.

1. Como gostaria de morrer em cena? 

Já morri com tiro, tomando comprimidos. Acho que estou velha para Julieta. Ou não? 

2. Frase arrebatadora.

“Eu sou a morta que pode ser despida... Vizinhas, me dispam!” A Falecida, de Nelson Rodrigues.

3. Como gastar bem o tempo livre?

Teatro, amigos, jantar. Livro, música, solidão, Netflix. 

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