Sérgio Silva
Sérgio Silva

Teatro ganha força na Paulista

Avenida é o novo núcleo teatral da cidade, pois, além do Sesi, agora é a vez do Sesc Paulista, que abre as portas com 3 salas

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2018 | 02h00

A Avenida Paulista desponta como o novo núcleo teatral da cidade, fazendo frente ao centro e ao Bexiga. Além do Sesi, que já tem programação permanente e projetos sólidos, como o Núcleo de Dramaturgia, agora é a vez do Sesc Paulista, que abre as portas com três salas de espetáculo. E o Itaú Cultural definiu seu ano teatral e, pelo que se vê, com uma programação teatral turbinada.

Duas peças estreiam em meados de fevereiro: Música para Criança? e Inútil Canto e Inútil Pranto pelos Anjos Caídos, esta última baseada em conto de Plínio Marcos. Tem mais. No último domingo de cada mês estreia a série Encontro com o Espectador, parceria com o site Teatrojornal – já existe mensalmente o Camarim em Cena. Só podemos gritar: que venha mais!

ELAS NUNCA FORAM 

Não é nada, não é nada, passaram-se 14 anos da primeira montagem brasileira da peça Garotas da Quadra, da dramaturga britânica Rebecca Prichard – a moça, hoje quarentona, foi um azougue na terra da rainha ao encenar seu primeiro texto aos 22 anos na Royal Court. Na próxima terça, 29, no Teatro Cemitério de Automóveis, a montagem volta ao cartaz com a mesma turma de antanho: no palco, as atrizes Aline Abovsky e Ester Laccava, e na direção o dramaturgo Mario Bortolotto, que também fez a trilha sonora e a adaptação do texto.

A encenação de 2014 não era fraca; recebeu duas indicações para o Prêmio Shell (para Ester Laccava e o tradutor) na história de duas delinquentes de 15 anos em recuperação diante de uma audiência fictícia de um programa antidrogas. Barra-pesada, mas vida real – hoje, possivelmente, é algo suave para os padrões que conhecemos na vida das grandes cidades brasileiras. Ainda assim, na ficção que nos salva a cada dia, é teatro do bom.

 

TOM NA ESTANTE  

A montagem carioca de Tom na Fazenda, que passou rapidamente por São Paulo, mas deve voltar ainda este ano, acaba de virar livro pela Cobogó. O autor é o dramaturgo canadense Michel Marc Bouchard, que vendeu os direitos do texto para o cinema e já virou filme pelas mãos de Xavier Dolan, também protagonista, lançado em 2013.

No Rio, a peça está em cartaz até este domingo, no teatro Dulcina, e quem não viu deve assistir. A montagem, dirigida por Rodrigo Portella, é sucesso e foi indicada para os principais prêmios do teatro em 2017. O elenco tem o ator Armando Babaioff, que é o tradutor da peça e idealizador do projeto, e mais Gustavo Vaz e Kelzy Ecard. Este sábado, o livro será lançado com debate após o espetáculo no Dulcina. 

  

CARIOCAS EM DRAMA    

Ainda o Rio de Janeiro. O Núcleo de Dramaturgia do Sesi carioca está com inscrições abertas até 22 de fevereiro para novos dramaturgos participarem do tradicional curso de dez meses – serão escolhidos 15 felizardos na rodada deste ano. Quem se animar a chacoalhar a cachola com boas ideias deve acessar dramaturgiaemnucleo.com.br.

3 PERGUNTAS PARA...

Gustavo Machado

Ator, gostaria de ser rock star

1. Por que teatro?

Nada é ao mesmo espaço-tempo tão sagrado e profano, divertido e profundo, libertário e ritualístico.

2. Frase arrebatadora.

'Água linda!', em Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues. No contexto da peça, a frase carrega a centelha divina.

3. Peça reveladora.

Hamlet, do Oficina, e O Futuro Dura Muito Tempo, com Rubens Corrêa e Vanda Lacerda.

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