BÁRBARA SANTOS
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João Wady Cury
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Siba e Rohrer embalam o Bispo

João Miguel volta a São Paulo com espetáculo 'Bispo a Seco', inspirado na vida de Bispo do Rosário

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2019 | 07h56

O ator João Miguel pesquisa a vida e o trabalho do artista visual Arthur Bispo do Rosário desde 2001 e traz consigo, desde então, espetáculos sobre o artista sergipano. Agora, nesta última versão, juntam-se a Miguel dois músicos para embalar a imersão no mundo peculiar de Bispo do Rosário – artista que criava mantos para serem usados no juízo final.

Siba e Thomas Rohrer são os escolhidos para a trilha de Bispo a Seco, peça que ocupará a sala Tula Pilar Ferreira, da Biblioteca Mário de Andrade nas três próximas segundas-feiras. Até então João Miguel vinha apresentando o espetáculo em “lugares vivos”: comunidades interioranas e quintais de casas de artistas populares no Cariri (CE).

BALAIO DE GOSTOS 

Bispo a Seco é o resultado do trabalho sobre um sergipano de Japaratuba, interpretado por um baiano de Salvador, João Miguel, com dois músicos a reboque, um pernambucano do Recife e um suíço. É um balaio de gostos e diferenças capaz de dar orgulho incontido no bom e velho Will Shakespeare e acabar de vez com o tédio criativo. Não era para menos.

É o que Bispo do Rosário merece. Morto há exatos 30 anos, o artista foi interno de casas de saúde e manicômios como o Hospital dos Alienados, na Praia Vermelha, e a Colônia Juliano Moreira, depois de ter trabalhado na Light e na Marinha do Brasil, onde serviu por oito anos. Teve delírios místicos e os doutores o diagnosticaram com esquizofrenia paranoide. Entrou nesse buraco sem fim, mas sua obra entrou para a história. 

FORA DA GAIOLA 

Como Bispo a Seco, cuja estrutura dramática vem se transformando ao longo dos anos ao sabor da criatividade, também Passarinho – Uma Interseção passou pelo mesmo processo, agora, de peça a performance. A atriz Ana Kutner (acima), dirigida pela irmã Clara, abre espaço para o público enquanto traça o seu caminho biográfico entre dores e amores, memórias e experiências. Nem poderia ser diferente. Ana é filha de dois artistas emblemáticos, Dina Sfat (1939-1989) e Paulo José. As apresentações acontecem hoje e amanhã, às 20h30, na Escrevedeira, na Vila Madalena.  

  

HAVEL NA ROOSEVELT  

Estreia sexta, 29, peça do dramaturgo checo Václav Havel (1936-2011), Audiência, na SP Escola de Teatro, na Praça Roosevelt. O texto foi traduzido direto do checo por Luis Felipe Labaki, integrante do coletivo Cardume. Trata das relações entre humanos e ética em uma cervejaria na década de 70, período em que a antiga Checoslováquia vivia sob regime comunista. A história tem seu charme. Dramaturgo nos anos 80, depois de vários períodos na prisão, Havel torna-se uma das principais vozes dos direitos humanos e liberdades individuais naquele país. Com o fim do regime comunista, acabou elegendo-se presidente e, em seguida, presidente da República Checa.

3 Perguntas para Martha Nowill, atriz

1. Por que teatro?

Quando começa tem que ir até o fim, haja o que houver.

2. Peça arrebatadora?

Tinha 13 anos. Minha avó Dorina me levou para assistir a O Céu Tem Que Esperar. Era sobre relação de avô e neto. Já queria ser atriz. Tinha um menino que arrebentava em cena, e o Paulo Autran, né? Mudou minha vida. 

3. Como gostaria de morrer em cena?

Com poesia.

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