JOÃO CALDAS/Divulgação
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Seminário em São Paulo engrossa debate sobre as artes cênicas

Encontro põe em debate temas como preparo de atores, políticas de financiamento e relação entre arte e crítica

Murilo Bomfim, O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2015 | 07h00

Os problemas que a classe teatral enfrenta atualmente – como a tão falada luta contra a especulação imobiliária ou a busca por formas de financiamento de espetáculo – parecem engajar os artistas em torno das causas comuns. No ano passado, essa união resultou, por exemplo, na conquista lograda por algumas companhias de serem reconhecidas como patrimônio imaterial da cidade de São Paulo e em eventos, como o 1.º Congresso Brasileiro de Dramaturgia. Neste domingo (25), será aberta mais uma reunião do gênero: o Seminário São Paulo – Cena Contemporânea, organizado pela Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH).

“Sentimos que era preciso refletir sobre o panorama do teatro hoje”, diz a diretora da escola, Lígia Cortez. “Tudo mudou muito rapidamente. Há 15 anos, tínhamos temporadas de oito meses de espetáculos, não existia a Lei do Fomento, nem o problema da especulação. Precisamos nos juntar para conversar e pensar o agora.” Segundo Lígia, a ideia de fazer o seminário nasceu da importância que a definição do panorama atual tem para a formação dos atores da ESCH. O evento é grátis e aberto a todo o público interessado.

Lígia faz a abertura do seminário, às 18 h. Em seguida, às 19 h, o dramaturgo e roteirista Bosco Brasil se junta à dramaturga e diretora teatral Claudia Schapira, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, para discutir os trânsitos da dramaturgia brasileira contemporânea com mediação de Samir Yazbek. “Constituo uma palavra por aquilo que me urge dizer”, afirma Claudia, lembrando que seu grupo perdeu a sede por causa da especulação imobiliária. “Diante do que aconteceu com o nosso espaço, meu verbo se transforma.” Para ela, quando se fala sobre dramaturgia não se aborda apenas o que é escrito, mas a ação dramática como um todo.

Os debates voltam a ocorrer uma semana depois da abertura, entre 2 e 6 de fevereiro, com uma mesa de debate por dia. Os temas são variados. No dia 2, O Silêncio das Grandes Vozes trata das relações entre a crítica e a criação teatral, com a presença dos jornalistas Nelson de Sá e Beth Néspoli.

Os atores Antonio Grassi e Hugo Possolo discutem, com o pesquisador e gestor cultural Sérgio Luís Venitt de Oliveira, as políticas públicas de financiamento e sua relação com a formação de plateias. Para Lígia, as vias para conseguir apoio a peças de teatro acabam definindo padrões para as artes cênicas. “Temos o Sesc, o edital da Secretaria Municipal de Cultura. Existe a Lei Rouanet, que gera um tipo de produção. Qual é a cara do teatro hoje?”

Os dois últimos dias vão ser dominados pela discussão sobre o teatro e o espaço que ele ocupa. Em Ir Aonde o Povo Está, o ator e diretor Eugênio Lima, também integrante do Núcleo Bartolomeu, debate com o autor e diretor César Vieira a produção teatral realizada em locais não convencionais. A mediação será feita pelo acadêmico e diretor André Carreira. A polêmica da especulação fica para o encerramento do seminário, com a presença de Nabil Bonduki, atual secretário de Cultura do município, e Rudifran Pompeu, presidente da Cooperativa Paulista de Teatro.

A Escola Célia Helena deve preparar, ao fim do evento, uma publicação com as discussões do evento. “Vamos gravar e reunir o que vai ser dito”, diz Lígia. “A ideia é criar um documento importante, que reflita o momento e impulsione novos pensamentos e ações.” O registro terá edição impressa e online, ficando disponível no site e na própria escola, na biblioteca Raul Cortez. “Gostaríamos que essa fosse a primeira edição de um seminário que ocorrerá todos os anos”, espera Lígia.

PROGRAMAÇÃO

Às Portas Abertas (25/1) 

Bosco Brasil e Claudia Schapira. Mediação: Samir Yazbek

O Silêncio das Grandes Vozes (2/2)

Beth Néspoli e Nelson de Sá. 

Mediação: Oswaldo Mendes

Como Nascem os Atores (3/2)

Antonio Luiz Dias Januzelli e Matteo Bonfitto. Mediação: Lígia Cortez

Quanto Custa o Teatro? (4/2)

Antonio Grassi, Hugo Possolo e Sérgio Luís Venitt de Oliveira. Mediação: José Fernando de Azevedo

Ir Aonde o Povo Está (5/2)

César Vieira e Eugênio Lima. 

Mediação: André Carreira

O Espaço e seu Teatro (6/2)

Nabil Bonduki e Rudifran Pompeu. Mediação: Tião Soares

SEMINÁRIO SÃO PAULO – CENA CONTEMPORÂNEA

Teatro Célia Helena. Rua Barão de Iguape, 113, 3050-2280. Hoje, 18 h; de 2 a 6/2, 20 h. Grátis

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