Werther Santana / Estadão
Werther Santana / Estadão

Saulo Vasconcelos narra em livro a carreira de ator de musicais

Ator conta no livro 'Por Trás das Máscaras' a sua trajetória por espetáculos como 'Les Misérables', 'A Noviça Rebelde' e 'O Fantasma da Ópera'

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2018 | 06h00

É possível dizer que tudo começou em 1997, quando ele viajou a Londres e assistiu a sete musicais em apenas quatro dias. “Não conheci o Big Ben, nem o Parlamento”, conta Saulo Vasconcelos, que voltou transformado, já seguro do que faria na vida.

Hoje, é um dos principais atores de musical do Brasil, cuja trajetória se confunde com a nova fase do gênero no País, iniciada nos anos 2000. É o que ele relembra em Por Trás das Máscaras (Chiado Books), sua biografia que será lançada na Livraria Cultura do Conjunto Nacional na noite de terça-feira, 16, com direito a um pocket show.

Aos 45 anos, Saulo Vasconcelos ostenta um currículo que seria invejável até mesmo na Broadway, com participações em Les Misérables, A Bela e a Fera, O Fantasma da Ópera, Cats, Mamma Mia!, A Noviça Rebelde e O Homem de La Mancha, para ficar apenas nos grandes clássicos.

Fruto de uma feliz combinação de talento e dedicação, Saulo só venceu depois de tentar várias profissões (trabalhou como bancário, vendeu e comprou videogames usados, além de ter cursado a faculdade de química e a de economia), quando descobriu a força de sua voz ao participar do Coro Sinfônico Comunitário da Universidade de Brasília, onde estudava.

Quando voltou de Londres, participou de musicais amadores em Brasília, onde nasceu, e passou a estudar canto com Sandro Christopher (hoje, ator renomado, está no atual elenco de O Fantasma da Ópera). “Ao acompanhar Sandro na montagem de uma ópera no Teatro Alfa (Don Giovanni, de Mozart), em São Paulo, a jornada que me levaria ao mundo profissional dos musicais começou.”

Era 1999, quando, depois de ter testes para diversos musicais, participou da seleção para a montagem paulistana do musical Rent. “Voltei desanimado para casa e, no exato momento em que decidi terminar o curso de economia, o telefone tocou.” Do outro lado da linha, uma voz mexicana o convidava para interpretar o papel principal de O Fantasma da Ópera em seu país. Era um dos membros da banca de seleção, que também procurava o protagonista para essa montagem. 

Vasconcelos não teve nem tempo para lamentar a reprovação para Rent: três meses depois, mudou para a Cidade do México onde se tornou o mais jovem Fantasma da história, aos 25 anos. E, quando foi protagonista da montagem brasileira, em 2005, conquistando outra a marca: a de segundo ator no mundo a interpretar o Fantasma em duas línguas (o primeiro foi Italo Freeman, que atuou nos EUA e na Alemanha).

E, somando as interpretações no México e no Brasil, Saulo ultrapassou a marca das mil apresentações do Fantasma.

Pode-se imaginar que o título da biografia foi inspirado no artifício que ele usou como Fantasma, objeto que se tornou ícone na história dos musicais da Broadway. Mas vai além disso: “Cada personagem representa uma máscara. Eu me coloco na pele de outra pessoa, outra personalidade. Por isso, o título do livro usa ‘máscaras’, no plural – foram muitas máscaras, muitas camadas, muitas histórias, alegrias e aventuras”, comenta Vasconcelos.

“Há também a máscara que diferencia a personagem do homem, ou até mesmo a máscara que coloco quando me posiciono como figura pública. É uma grade metáfora.”

O ator, que é ‘baritenor’ (cantor capaz de alcançar notas agudas e graves), sedimentou, ao longo dos anos, amizades que prometem perdurar, como Sara Sarres e Kiara Sasso, que se revezavam como seu par em Fantasma; Marcos Tumura, talentoso ator precocemente morto; Cleto Bacic, com quem dividiu o palco (em La Mancha) e a administração do curso de teatro musical criado no Sesi-SP.

Saulo Vasconcelos vê seu livro como as memórias de alguém que viveu o improvável. “Estive no lugar certo, na hora certa, na época certa, quando, em 1999, estava em São Paulo.”

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