Philip Montgomery/The New York Times
Philip Montgomery/The New York Times

Sarah Jessica Parker e Matthew Broderick atuam juntos na Broadway

Casal volta aos anos 1960 para interpretar três relações falidas na comédia ‘Plaza Suite’, de Neil Simon

Amanda Hess/The New York Times, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 07h00

Numa manhã de janeiro, Sarah Jessica Parker e Matthew Broderick estavam juntos no Upper East Side, com uma hora livre. Sarah não sabia o nome do local, mas lembrava que, 20 anos antes, Matthew havia dito a ela que Robert Redford, no filme sobre a CIA Três Dias do Condor, costumava almoçar ali. Aquela lembrança foi o suficiente para visitarem a Lexington Candy Shop. “Nunca vi vocês dois juntos”, disse a eles o gerente do local. Matthew Broderick e Sarah Jessica Parker são, de fato, uma atração fugidia em Nova York.

Em breve, no entanto, eles poderão ser vistos juntos na Broadway, oito vezes por semana. Em Plaza Suite, de Neil Simon, eles interpretam três casais diferentes em três peças de um ato cada uma. As histórias se passam na Suíte 719 do Plaza Hotel, por volta de 1968.

A peça, uma mistura de tragicomédia e farsa, foi escrita em meio às mudanças nas expectativas maritais nos anos 1960. Cada casal surge em situações distintas: Sam e Karen Nash, cujo 23.º aniversário é abalado pela descoberta de um caso extraconjugal; Jesse Kiplinger e Muriel Tate, namorados de colégio que agora têm um caso extraconjugal; e Roy e Norma Hubley, que se separam no dia do casamento da filha.

Quando saíram da Lexington Candy Shop, Sarah e Broderick pegaram um ônibus em direção ao centro da cidade, onde ensaiaram durante seis horas. Então fui buscá-los para jantar no Orso, no Theater District.Vê-los juntos foi como presenciar um casal raro: com sua curiosidade travessa e cômica e seu charme reservado, eles lembram um daqueles adoráveis filmes sobre vida selvagem, nos quais um coiote fica amigo de um texugo. Quando se sentaram, Broderick leu um alerta do seu aplicativo Citizen – “dois homens brigam na frente de um banco na West 14th Street”, e Sarah pediu, docemente, um Cosmopolitan.

“Não temos saído para jantar juntos há muito tempo”, disse ela. E agora ali estavam eles, num encontro com um jornalista e um gravador à sua frente.

Com a peça – que acaba de estrear no Hudson Theater e será encenada durante 17 semanas –, Sarah e Broderick vão passar muito mais tempo juntos. Mas passarão esse tempo sob a luz dos refletores, falando sobre a montagem para jornalistas e expondo sua vida privada. Eles não falam muito sobre o seu trabalho e, talvez por isso, a relação venha sendo tão boa por tanto tempo.

Contudo, sempre que comemoram o aniversário de casamento, em maio, são surpreendidos por tabloides, que falam sobre sua suposta infelicidade. Perguntei se achavam que o The National Enquirer tinha um alerta de calendário para essas ocasiões. “Eu acho que sim”, disse Sarah. E o alerta vai soar novamente. Durante o período em que Plaza Suite estiver em cartaz, Sarah e Broderick vão comemorar o mesmo aniversário de casamento de Karen e Sam Nash na peça – o 23.º. “Nós só percebemos há alguns dias”, afirmou ela. “Pensamos: ‘Oh Deus. As pessoas vão pensar que estamos lidando com nossos problemas em público, o que não é do nosso interesse’.”

Ensaios. Quando os encontrei, em janeiro, eles ainda estavam envolvidos nas etapas mais estranhas do ensaio. “A experiência de apenas abrir uma maleta em busca de uma caneta enquanto falo no telefone pode ser extenuante”, contou Broderick. “É como se esse pequeno ato levasse uma semana e meia: abrir aquela porta imaginária e passar por ela com sua maleta imaginária”, acrescentou.

O exaustivo trabalho de atuar faz com que uma pessoa se sinta vulnerável, mesmo em relação a seu parceiro. Durante a época de Sex and the City, Broderick foi abordado para interpretar um dos namorados de Carrie Bradshaw, mas ele sempre disse não. Mesmo as visitas dele ao set de filmagem podiam ser um indutor de ansiedade. “Eu pensava: ‘Matthew está aqui. Não olhe para mim’.” Assim, por décadas, eles não trabalharam juntos. E não trabalhar juntos funcionou bem para a relação do casal.

Em fevereiro, quando os encontrei novamente, eles estavam no palco do Emerson Colonial Theater, em Boston, onde a produção fez uma experiência antes da estreia na Broadway. O trabalho de faz de conta tinha se materializado em uma peça de verdade, e o casal estava com o figurino, ensaiando.

Entre o ensaio e a apresentação daquela noite, Broderick, Sarah e o diretor John Benjamin Hickey fizeram uma pausa para discorrer sobre o progresso do espetáculo. “É uma peça sobre a meia-idade e estar em relacionamentos por muito tempo”, lembrou Hickey. E mesmo quando dois atores se conhecem por décadas, mesmo se eles são casados, “eles entram na peça juntos como estranhos”. “Não é sua relação, sua amizade ou seu casamento.”

Uma das graças de assistir à peça é que há um quarto casamento escondido no subtexto. Depois de ver três relacionamentos se esvaziarem e acabarem, Sarah Jessica e Matthew Broderick surgem no fim e se curvam diante da plateia, lado a lado. Quando chegaram a Boston, Sarah e Broderick desenvolveram um ritual pré-palco para acalmar um ao outro. Eles ficam em camarins separados e, na hora de ir para os bastidores, Sarah deixa o dela primeiro e se dirige ao de Broderick. “Você diz, ‘boa apresentação’”, conta ele. “E nos beijamos.” / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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