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São Paulo Companhia de Dança encerra turnê por quatro países em Nova York

Maior temporada fora do Brasil da SPCD chega ao fim neste domingo, 8

Juliana Ravelli, ESPECIAL PARA O ESTADO

07 de maio de 2016 | 03h00

NOVA YORK - Foi em uma gala no Paraguai, em 2010, que a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) fez sua primeira apresentação internacional. Desde essa época, a agenda no exterior só aumentou. Hoje, quase seis anos depois, o grupo paulista está perto de encerrar a maior turnê que já realizou fora do Brasil. A maratona começou em 26 de março e inclui 23 espetáculos em dez cidades de quatro países: França, Suíça, Canadá e EUA. Nos últimos três, nunca havia dançado.

Em Nova York, a SPCD fez sua estreia na terça-feira (3) no Joyce Theater, em Chelsea, um dos bairros mais cools de Manhattan. O teatro recebeu, desde 1990, outras oito companhias brasileiras, entre elas Grupo Corpo, Cisne Negro e Deborah Colker. Só lá, serão sete espetáculos até domingo (8), quando a turnê termina.

Apresentar-se em Nova York é um desafio, a começar pela viabilização da temporada. Segundo Inês Bogéa, diretora da SPCD, a turnê é custeada pelos programadores internacionais, que arcaram com as despesas e os cachês. A exceção é os Estados Unidos. “Em Nova York é um pouco diferente. É a própria turnê que faz possível a gente estar aqui. É uma aposta do teatro e da companhia”, explica Inês. “Nova York se paga pela turnê internacional, não tem dinheiro do governo brasileiro.”

Habituado a consumir arte, o público nova-iorquino é exigente. Mas o que se viu na estreia foi uma plateia receptiva e animada, que lotou os 472 lugares do teatro. E ali, longe do Brasil, percebemos que os artistas brasileiros têm, sim, carisma e um jeito singular de se movimentar. A crítica internacional ressaltou ainda o fato de a companhia ser jovem (criada em 2008), além da versatilidade, qualidade técnica e sensualidade natural dos bailarinos.

Diretor de programação do Joyce Theater, Martin Wechsler conta ao Estado que conheceu a SPCD por intermédio do francês Guy D’Armet, criador da Bienal de Dança de Lyon e ex-diretor da Maison de la Danse. “Quando ele sugeriu que eu conhecesse a companhia, aceitei o conselho. Fiquei feliz de ver a grande capacidade técnica dos bailarinos e o repertório que estavam apresentando, criado pelos principais coreógrafos internacionais e por jovens e emergentes coreógrafos brasileiros.”

Quatro obras contemporâneas formam o programa em NY. Três delas são de brasileiros: o energético GEN, de Cassi Abranches; o duo Céu Cinzento, de Clébio Oliveira; e Mamihlapinatapai, de Jomar Mesquita, com colaboração de Rodrigo de Castro. A noite termina com Gnawa, do espanhol Nacho Duato. “As pessoas têm muita curiosidade sobre a dança brasileira. O interessante desse programa é que ele mostra diferentes possibilidades e entendimentos da nossa arte”, diz Inês.

Viajar por quatro países em 45 dias exige organização. A equipe em turnê tem 31 integrantes, 23 deles bailarinos. Todos têm um roteiro da temporada, com horários de voos e ônibus, check-in e check-out em hotéis, refeições, aulas, ensaios, montagens de palco, marcações de luz, espetáculos e folgas. Tudo é seguido à risca, mas, segundo Inês, imprevistos acontecem. “A turbina do avião em Zurique quebrou. A gente foi até Frankfurt e ficamos um dia lá. Chegamos um dia depois do previsto ao Canadá. A folga dos bailarinos não ocorreu e a gente estreou com jet lag. E não teve o que fazer.”

Apesar do cansaço e da preparação antes de viajar (como deixar os gatos com algum conhecido), a solista Ana Paula Camargo vê a turnê como oportunidade de crescimento. “Há uma preocupação com a receptividade do público e até da crítica do local. Mas acho ótimo o contato com outra cultura, comida, outra mentalidade e funcionamento social. Tudo vira referência e me influencia.”

As turnês da SPCD são organizadas com dois anos de antecedência. Em 2017, já existem apresentações marcadas na França, Alemanha e Bélgica; a passagem por Israel ainda está em negociação. Em 2018, o grupo dançará O Sonho de Dom Quixote, de Marcia Haydée, na Alemanha.

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