Guto Muniz
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Sandra Peres e Paulo Tatit em formato de bonecos se unem ao Giramundo

Contando com tradução em libras, o musical infantil, que tem texto de Fernando Salem, traz as canções do Palavra Cantada, que foram gravadas com acompanhamento de orquestra, sob regência de Ruriá Duprat

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2019 | 19h21


Há 25 anos surgia no cenário cultural o Palavra Cantada, um divertido duo formado por Paulo Tatit e Sandra Peres, que chegava para conquistar crianças e também adultos. Para comemorar essa longa carreira de sucesso, eles apresentam neste sábado e domingo, no Teatro Opus, em São Paulo, o espetáculo As Aventuras de Pauleco e Sandreca no Planeta Água, que traz ao palco os bonecos inspirados nos dois músicos. E não é só isso, pois a peça marca também uma parceria com o grupo mineiro Giramundo, que coloca em cena suas espetaculares criações. 

Contando com tradução em libras, o musical infantil, que tem texto de Fernando Salem, traz as canções do Palavra Cantada, que foram gravadas com acompanhamento de orquestra, sob regência de Ruriá Duprat. Com um enredo divertido, As Aventuras de Pauleco e Sandreca no Planeta Água levanta a questão do meio ambiente e da sua preservação. Traz uma história de amizade, com os personagens principais vivendo diversas aventuras por vários locais do Brasil e do mundo, fazendo novos amigos enquanto procuram o querido Pingo.

Mais que isso, nessas aventuras os personagens tentarão descobrir o que está acontecendo com a água do Planeta. “Eles falam e discutem sobre isso. Porque a água está acabando, porque o mar está subindo, porque o gelo está derretendo. Então tem uma coisa também, a presença dessa questão do aquecimento global, além da valorização da água, que é uma consequência”, explica Sandra Peres.

Além de Pauleco, Sandreca e Pingo, o espetáculo traz outros personagens para ilustrar essa história, como o Rejeito, que é feito de objetos descartados; a carangueja Chica; a Greta, que é um pinguim e foi criado para homenagear a ativista Greta Thunberg; a Maré, com a voz da Fafá de Belém. Todos são ligados, de uma forma ou de outra, com questões relacionadas ao meio ambiente, à escassez de água e a luta pela proteção do planeta. 

Tema mais que atual e necessário, a questão do meio ambiente ganha destaque nessa história, que vem recheada de canções relacionadas a ele, com a mesma costumeira pegada do Palavra Cantada com sua preocupação em produzir material que dialogue com o público infantil. Sandra enfatiza que o objetivo não é o de ficar falando das coisas ruins que estão acontecendo, apesar de fazerem parte da história. “A ideia não é falar sobre o que falta, mas sim o que se tem, porque a nossa ideia, conduzida pelas mãos do Salém, é mostrar a beleza da natureza, e, dessa forma, conectar as pessoas e envolvê-las nesta defesa”, diz, enfatizando que a realização será plena “quando o público observar um mar lindo e falar ‘nossa, eu quero que esse mar sempre exista’, e não ver um mar sujo e ficar constrangido, chateado, porque não tem mais muito o que fazer.” 



Como todos os artistas que decidiram direcionar a carreira para produzir para crianças, o Palavra Cantada está na estrada esse tempo todo por ter acertado a receita de como agradar a esses pequenos críticos exigentes. “Acho que isso não é segredo nenhum. O respeito e a forma como a gente acredita que deve tratar um ser humano, uma criancinha especial que vai repetir o que a gente está falando, que vai cantar o que a gente está dizendo, então pra gente esse ancoramento é muito importante. Tudo baseado no respeito e as famílias, sempre que se interessam pelas nossas músicas e ouvem, acabam indo aos shows e espetáculos”, reflete a cantora, orgulhosa em apontar que o canal do grupo no YouTube tem um milhão de inscritos.

“Cada vez mais as famílias entendem que a nossa relação com a criança é de respeito, inteligência, dignidade, para que ela cresça e tenha uma percepção do mundo de uma maneira coerente com o que a gente acredita que deva ser o futuro, que deve vir com boa nutrição musical, emocional, intelectual, e todos os temas que envolvem o desenvolvimento de uma criança”, diz.

Quanto ao Giramundo, tradicional grupo de Belo Horizonte, que já proporcionou ao público brasileiro inventivos espetáculos com seus bonecos, esse espetáculo foi um grande desafio. “Foi um grande aprendizado para nós, mas que somou e com certeza será um marco nos 50 anos do grupo”, afirma Beatriz Apocalypse, diretora do Giramundo. Isso se deve ao fato de os bonecos terem sido feitos com materiais descartáveis e reaproveitáveis, obrigando o grupo a demorar mais na confecção. “Como o Giramundo já vem pensando nessa questão da ecologia para transformar o planeta em um lugar melhor, a gente resolveu abolir também alguns tipos de materiais que ainda utilizávamos, como cola de contato, a famosa cola de sapateiro, e a de isopor”, revela Beatriz. 

Fundado em 1970, o Giramundo possui um acervo com aproximadamente 1.500 bonecos, com 25 espetáculos ativos, e se prepara para comemorar seus 50 anos com um festival apresentando seu repertório. “O objetivo do Giramundo é manter viva a arte do teatro de bonecos, além de ser um grupo de pesquisa e referência.” 


SERVIÇO:

'AS AVENTURAS DE PAULECO E SANDRECA NO PLANETA ÁGUA'

TEATRO OPUS. AVENIDA DAS NAÇÕES UNIDAS, 4.777, TEL. 3515-6650. 

SÁB., 18H; DOM., ÀS 14H E 17H. 

DE R$ 20 a R$ 80.

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