João Pedro Januário
João Pedro Januário

Regina Casé volta ao teatro com ‘Recital da Onça’

Recital da Onça, que chega ao Rio no dia 19, foi concebido para mudar em cada cidade onde for apresentado

Daniel Schenker, Especial para O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2019 | 03h00

Tudo começou quando Estevão Ciavatta lembrou Regina Casé que existe uma geração que nunca a viu em cena. Na verdade, nem Estevão viu Regina no teatro. “Somos casados há 23 anos e estou fora do palco há 24”, comenta Regina, referindo-se ao seu último trabalho – o bem-sucedido Nardja Zulpério, encenação de Hamilton Vaz Pereira –, em entrevista no Festival de Curitiba, onde mostrou Recital da Onça, espetáculo que chega ao Rio no dia 19, no Oi Casa Grande. Ainda não há data marcada para São Paulo.

Envolvida, nas décadas recentes, com programas na TV e eventuais atuações em filmes – como o elogiado Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert, e do inédito Três Verões, de Sandra Kogut – Regina Casé acabou se distanciando do teatro. Convidada para Amor de Mãe, novela das 21h escrita por Manuela Dias, a atriz decidiu retomar o contato com o palco, apesar de não dispor de muito tempo. “Num domingo de novembro, Estevão disse que não daria para fazer um espetáculo grande, mas que eu poderia pensar num pequeno para preparar nas minhas férias na Bahia. Quarenta e cinco minutos depois, meu agente, Pedro Tourinho, me ligou e propôs a mesma coisa”, relata Regina.

Foi o suficiente para investir no projeto, que, de início, seria concebido por Regina e Estevão. “Mas chamamos Hamilton (Vaz Pereira) para ver um ensaio e ele passou a dar sugestões e a imprimir uma direção de cena. Aí apareceu o (Luiz) Zerbini, que virou cenógrafo da montagem. Também aconteceu assim com Claudia Kopke, que fez os figurinos. Não houve convites formais para os integrantes da equipe. Todos trabalharam como penetras”, garante Regina. É importante destacar a participação de Hermano Vianna, que divide a criação da encenação com Regina e a trilha sonora com Berna Ceppas. O espetáculo estreou em Salvador e depois seguiu para Curitiba.

A ideia inicial de Recital da Onça, centrada numa mulher que deve fazer uma apresentação no exterior, foi mantida. Regina Casé surge em cena como uma personagem prestes a realizar uma palestra em Harvard e enfrenta percalços no aeroporto, principalmente no contato com a imigração americana. Regina transita entre a personagem e a própria identidade. Conversa com o público, lê e interpreta trechos literários e retorna à ficção da mulher amedrontada dentro do aeroporto. Nas sessões em Curitiba, selecionou autores consagrados como Clarice Lispector e João Guimarães Rosa. Mas os textos tendem a mudar de acordo com a cidade em que a encenação entrar em cartaz. “Quero não só alterar os textos como a montagem diariamente. O intuito é que todo o trabalho tenha uma estrutura móvel”, afirma Regina.

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